segunda-feira, 31 de março de 2014

Como trabalhar "dopada"?

Quando comecei esse blog, inicialmente, meu diagnóstico era depressão moderada e ansiedade generalizada. Eu sabia que havia algo de muito diferente comigo, mas não entendia o que. Ao final de 2014 foi confirmada que todos meus sintomas e graves crises, na verdade, eram parte do que a psiquiatria chama de transtorno da personalidade borderline e, enfim, a partir de 2015 eu pude encontrar o tratamento correto.



Após sofrer um surto de explosão de raiva semana passada eu tive de voltar ao psiquiatra e recomeçar meu tratamento para depressão. Eu não fazia a menor ideia de que a depressão podia causar surtos como aquele. [Na verdade era borderline, atualização 2015] O surto foi tão forte que eu nem me lembro direito o que aconteceu, mas eu tentei machucar meu marido e, segundo ele, disse coisas desconexas. Para mim parece uma lembrança muito distante como se não fosse eu e me assusta bastante saber que nossa mente é capaz de se confundir a esse ponto. 

Segundo meu psiquiatra eu posso ficar ainda pior, por isso é melhor começar o tratamento. Confesso que eu sou bastante pé atrás com psiquiatras e seus medicamentos, mas conviver com uma mente doente é ainda pior. Compreendi que isso é uma doença que pode acontecer com qualquer um e que eu não devo lutar contra minha mente e sim ajudá-la a se recuperar. 

Contrariando a recomendação médica eu voltei a trabalhar, pois faltam 3 dias para as minhas férias e eu tenho muitas coisas pendentes ainda e gostaria de descansar 100% do tempo dessa vez sem pensar no trabalho. Eu ainda estou com todos os efeitos ruins de náuseas, tonturas, lentidão e um pouco de confusão mental, mas eu tento viver como se eu estivesse bem. De vez em quando perco meu equilíbrio, mas não fico com receio ou vergonha, e também não minto, digo que estou tomando medicamentos que mexem com meu cérebro.

Não há porque ter vergonha. É uma doença e ninguém tem culpa de estar doente. Algumas pessoas pensam que é só querer, que é frescura e blá blá blá, mas elas nem olham para si mesmas. Quantas delas fingem viver uma vida feliz? Quantas delas fazem mal a si mesmas e não admitem? Eu conheço muitas, as mesmas pessoas que fazem piadinhas e me julgam pelas minhas costas. 

Existem dias bons e dias ruins. Hoje é um dia mais ou menos. Eu não estou bem, mas também não estou mal. Eu consegui chegar até aqui e estou tendo discernimento do que devo ou não fazer. A única coisa que me incomoda é esse enjoo, mas confio que ele vai passar logo. 

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