terça-feira, 15 de abril de 2014

A solidão que não passa

Fonte: Google Imagens

Quando comecei esse blog, inicialmente, meu diagnóstico era depressão moderada e ansiedade generalizada. Eu sabia que havia algo de muito diferente comigo, mas não entendia o que. Ao final de 2014 foi confirmada que todos meus sintomas e graves crises, na verdade, eram parte do que a psiquiatria chama de transtorno da personalidade borderline e, enfim, a partir de 2015 eu pude encontrar o tratamento correto


Estou em meu período de férias do trabalho, fiz uma viagem de quatro dias para o interior da cidade de São Paulo, estava com a minha família, meu namorado e meus comprimidos, mas por mais que eu soubesse que estava em uma boa situação e que eu tenho muita sorte de ter tantas pessoas me apoiando, eu não consegui deixar de sentir a presença da solidão. 

Não importa o quanto eu explique, desenhe ou grite, ninguém pode entender exatamente o que acontece comigo, pois ninguém pode entrar dentro de mim e sentir no meu lugar. É muito frustrante não conseguir expressar com palavras a profundidade da dor existente dentro de mim, as pessoas parecem não compreender, sentir pena ou achar que eu estou exagerando - ou talvez tudo isso seja um delírio. Mas eu sinto que ninguém pode me entender, muita gente tenta e eu me sinto grata por isso, mas acho que é meio difícil descrever algo indescritível que só quem tem sabe. 

É quase imprescindível ter um momento de solidão todos os dias. Eu me acostumei com isso. Gostaria de estar feliz, sorridente, corajosa e gentil o tempo todo, mas o remédio não faz efeito o tempo todo e eu não sou exatamente assim. Eu sou vezes uma tempestade de fúria e dor, vezes gentileza e doçura, mas é difícil prever quando estarei bem e quando estarei mal. Sei que a solidão é minha melhor amiga, a minha companheira fiel, e também meu maior inimigo em potencial. Através dela eu aprendi muitas coisas, mas também tive medo de tirar minha própria vida.

Agora que minhas memórias voltaram a adolescência me lembro do tempo em que eu me cortava para que a dor parasse. Ver o sangue e o corte distraía a minha mente daquele dor tão profunda que eu não sabia porque existia. Quantas vezes eu quis morrer? Quantas vez me senti só a ponto de escrever muitas cartas de despedidas? Eu tentei muitas vezes, e por sorte sempre acontecia alguma coisa. Talvez seja só coincidência, talvez exista algo maior, eu não sei... Sinceramente, eu não sei... Sei que mesmo rodeada de pessoas continuo me sentindo tão só quanto antes, e não sei explicar porque... A depressão é uma doença muito ruim... 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sinta-se a vontade para comentar, apenas não seja grosseiro.
Se quiser me escrever, envie e-mail para blogenlouqueser@gmail.com , mensagens hostis/sem propósito não serão respondidas.

Pesquisar este blog