segunda-feira, 19 de maio de 2014

Culpa e mais culpa...


Quando comecei esse blog, inicialmente, meu diagnóstico era depressão moderada e ansiedade generalizada. Eu sabia que havia algo de muito diferente comigo, mas não entendia o que. Ao final de 2014 foi confirmada que todos meus sintomas e graves crises, na verdade, eram parte do que a psiquiatria chama de transtorno da personalidade borderline e, enfim, a partir de 2015 eu pude encontrar o tratamento correto


Parece que estou voltando a minha época de adolescência e sentindo o peso da culpa de ser uma pessoa com depressão, de certo modo, sim, atrapalhando o fluxo da vida normal das pessoas ao meu redor. Um dos sentimentos com o qual ainda não sei lidar de forma alguma é a culpa. 

Meus dias explosivos têm diminuído, mas ainda acontecem e eu sempre me sinto culpada, estúpida e não merecedora de tudo o que eu tenho. Eu faço tanto esforço para tentar ser uma pessoa agradável, mas de repente, por uma coisinha, lá vem aquele outro Eu furioso que nunca parece que sou eu. 

Eu não sei lidar com mudanças, nem com estresse, muito menos com obstáculos, justamente as três coisas da qual a vida é composta, mas eu gostaria de pelo menos saber o que fazer nesses casos, porque agora eu passo pelos três ao mesmo tempo. Lendo alguns livros tenho aprendido que a culpa tem de se transformar em responsabilidade, ou seja, eu não sou uma vítima de mim mesma, porém cometi um erro e aprendi uma lição. Acabou. Bola pra frente. Sim, em coisas pequenas eu aprendi a fazer isso, mas as grandes.... essas são mais rápidas do que meu pensamento possa alcançar.

Apesar de todo sofrimento que tenho feito meu companheiro passar por causa dos MEUS problemas, eu não tenho medo de ficar sozinha, acho que de alguma forma isso sempre foi esperado por mim. Era líquido e certo que eu cairia fundo do obscuro da minha mente uma hora dessas visto que existem muitas coisas mal resolvidas dentro de mim. 

Minha culpa sempre vem acompanhada de muita auto-cobrança, auto-punição e raiva de mim mesma, continuando o ciclo de depressão e fúria que parece nunca acabar. Eu penso que morrer é sempre a melhor saída, ensaio escrever minhas cartas de despedida, mas eu começo a me perguntar se isso ajudará mesmo alguém? Imagino como minha mãe ficaria... e minha avó... me dói saber que elas sofreriam com a minha morte, então eu rasgo mais uma carta, tento ficar de pé novamente e digo a mim mesma para tentar mais uma vez. 

A questão é que eu aguento tentar mais uma vez, mas e as outras pessoas? E meu marido? Aguentarão até quando? O amor é lindo até algum obstáculo se colocar a nossa frente e persistir em não ir embora, principalmente se esse obstáculo afeta diretamente seu relacionamento social e impede o sexual. Até quando o amor sobrevive? Eu não sei, sei que não importa o que aconteça, eu vou amá-lo para sempre - e claro me sentir eternamente culpada pelo nosso fim. 

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