segunda-feira, 5 de maio de 2014

Entre altos e baixos


Quando comecei esse blog, inicialmente, meu diagnóstico era depressão moderada e ansiedade generalizada. Eu sabia que havia algo de muito diferente comigo, mas não entendia o que. Ao final de 2014 foi confirmada que todos meus sintomas e graves crises, na verdade, eram parte do que a psiquiatria chama de transtorno da personalidade borderline e, enfim, a partir de 2015 eu pude encontrar o tratamento correto


Ontem foi um domingo ensolarado em que acordei até que disposta e resolvi sair para o Horto Florestal tirar umas fotografias com meu namorado. Era um dia que tinha tudo para ser perfeito. Não houve brigas, nem discussões, somente o prazer de tirar lindas fotos, rir de boas piadas e conhecer paisagens novas, enquanto lutava com o início dos efeitos colaterais dos meus remédios como o sono e a confusão mental. Tentava ignorar isso enquanto me preocupava em focar flores, animais, capturar cada centímetro do museu da madeira e do palácio de verão do Governador. No fim do passeio estava revigorada porque estava fazendo o que amo e com quem eu amo. Uma sensação de segurança me invadia e dizia que nada poderia dar errado.

Aí a realidade me deu um tapa bem dado na cara quando eu fui comprar meu bom e velho fluxene (prozac) em uma farmácia a qual já estava acostumada. O lugar estava vazio, e os atendentes não pareceram muito feliz ao me verem entrar, e então entreguei a receita e pedi o remédio. Havia um parenteses bem evidente na receita com a palavra (fluxene), mas, claro ele tinha de me empurrar um genérico, tentei ficar calma, afinal esse é o procedimento de sempre, mas aí ele teimou em empurrar o genérico pela segunda vez, senti toda aquela calma escorrendo entre os meus dedos e o desespero tomando conta da minha mente, na minha imaginação eu queria esganá-lo até ele entender que aquela era a marca que o médico havia pedido. Além de tudo, ainda ficou de piadas com a farmacêutica porque eu não comprei o genérico e paguei mais caro. Talvez para os "normais" isso seja apenas uma situação comum, incômoda e depois engraçada, mas para uma pessoa cheia de transtornos mentais como eu, foi quase o fim do mundo. 

A raiva começou a invadir cada centímetro do meu corpo e o remédio não conseguiu pará-la. Eu queria falar, queria colocar pra fora, gritar, quebrar a farmácia, e ficava pensando obsessivamente "porque eles não fazem só o que a gente está pedindo? Será que é pedir demais?" Aparentemente, sim, é pedir demais e eu devia estar acostumada a isso, pois tive que ouvir um "deixa pra lá" e um "ignore isso". Toda vez que eu me sinto reprimida ou injustiçada pode escrever que eu vou ficar muito mal. Dessa vez eu nada pude fazer além de chegar em casa e tomar 2 mg de clonazepam conforme a indicação do médico. Eu chorei, chorei muito, como eu queria levar isso "na boa", realmente "deixar pra lá" e viver minha vida, não afetar meu relacionamento, não deixar a pessoa que amo estressada, mas quando eu percebo...já foi. E depois fica a culpa e a vergonha de existir (que também são os delírios que ainda não consigo evitar!). 

Um comentário:

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