segunda-feira, 12 de maio de 2014

O isolamento entre família


Quando comecei esse blog, inicialmente, meu diagnóstico era depressão moderada e ansiedade generalizada. Eu sabia que havia algo de muito diferente comigo, mas não entendia o que. Ao final de 2014 foi confirmada que todos meus sintomas e graves crises, na verdade, eram parte do que a psiquiatria chama de transtorno da personalidade borderline e, enfim, a partir de 2015 eu pude encontrar o tratamento correto


Queria muito escrever que me sinto cada dia melhor, que estou de bem com a vida e que já sei lidar com todo e qualquer problema que me aparece, mas, por enquanto isso parece um sonho muito distante, um sonho do qual eu não vou desistir não importa o que aconteça.

E, bem, a vida tem vários jeitos de testar a gente, não é mesmo? Ontem eu estava em um almoço de família (a família do meu namorado) e me sentia completamente vazia e isolada. Não era culpa deles, eu sei. Minha sogra puxava papo, mas era só... O restante das pessoas permaneciam num silêncio tão cortante que eu podia sentir uma lâmina passando no meu pescoço. Nesses momentos eu me sinto isolada, caindo em um profundo abismo gritando em desespero. Claro que eu não gritei, 2 mg de rivotril já resolve, eu fico domesticada, calada e indiferente. Nem tanto. Eu podia sentir todo o incomodo percorrendo o meu corpo e se transformando em uma vontade enorme de fugir. 

O problema é comigo ou com eles? O que é normal e o que não é? Porque eu não consigo puxar uma simples conversa? E porque quando eu faço isso sempre recebo respostas monossilábicas? Eles me odeiam! Mas eu os amo. Eu aprendi que odiar não leva ninguém a lugar nenhum (a não ser que você tenha uma daquelas feridas que nada fecha, aí eu te dou razão), mas eu entrei na família por um acaso, por amor, e me sinto totalmente isolada, um fantasma que não deveria estar ali. Exceto para minha sogra, a única que me faz voltar a sentir um ser humano, uma pessoa de verdade, que me traz esperanças e me faz sorrir. 

Mas o silêncio... Ouvir somente as garfadas, o gás do refrigerante ao ser aberto, e todos os olhos que desviavam-se uns dos outros... Aquilo me doía.... Eu não sabia o que fazer. Imaginava uma família feliz e contente onde todos conversavam entre si e todos se conectavam, mas isso estava só na minha mente. Pára de delirar, menina, eu pensava. Eu queria muito me sentir parte da família, me sentir acolhida, confortável e poder ser eu mesma, mas eu não consigo, não me é permitido ou talvez eu esteja delirando e tudo isso seja um comportamento normal de qualquer família... De qualquer forma me senti tão destruída que as consequências repercutiram até agora, dia em que tive de trabalhar e ao mesmo tempo segurar um choro que será chorado no momento em que eu me jogar na minha cama tentando entender porque eu ainda estou viva... 

2 comentários:

  1. Olá. Não sei se gostei do seu blog, com todo o respeito. Me senti muito identificada com o que escreves e isso me trouxe muita angústia. Tenho 31 anos, fui diagnosticada com tpb há 2 anos e em uma das tuas postagens dizia que diminui depois dos 30...rs.... Tenho más notícias pra você!! (rs) Bom, a verdade é que depois que tive uma filha as auto-mutilações e o uso de álcool e drogas desapareceram, entretanto, em algumas situações que fogem do meu controle ainda penso em suicídio. Saber que não sou a única é bastante importante para mim. A propósito, uma única pergunta, freqüentemente eu acho que devo ter um qi baixo, me sinto extremamente burra pq nunca consigo desempenhar bem os testes de atenção concentrada (tipo palográfico). Meu desempenho é um cu. Então, minha dúvida é a seguinte - 1- tu tb tens isso (baixa capacidade de concentração)? e 2- Achas que técnicas de meditação e mindfulness podem ajudar nisso? Abraços.

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    1. Olá! Obrigada por comentar. E postagens antes de 2015 não serão mais consideradas, inclusive irei apagá-las. Realmente havia uma pesquisa da USP falando sobre a idade, ainda há porém aumentou para 35 a 40 anos. Eu não levo mais isso em consideração. Aprendi a me basear em dados científicos comprovados e testados.
      Respondendo as suas perguntas, minha concentração é muito baixa e dispersa. Meditação não me ajudou, mindfulness e terapia sim, tem me ajudado.

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