quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Rivotril: minha experiência & sofrimento


Quando comecei esse blog, inicialmente, meu diagnóstico era depressão moderada e ansiedade generalizada. Eu sabia que havia algo de muito diferente comigo, mas não entendia o que. Ao final de 2014 foi confirmada que todos meus sintomas e graves crises, na verdade, eram parte do que a psiquiatria chama de transtorno da personalidade borderline e, enfim, a partir de 2015 eu pude encontrar o tratamento correto


Eu comecei a tomar 1 mg de clonazepam em março. No inicio tudo é muito bom, eu me sentia anestesiada, tranquila, nada mais me incomodava. Nada de fobia social, ansiedade ou mesmo crises de raiva. Tudo era terrivelmente "bom demais". Ele me trazia a segurança de que tudo estava bem e todos eram felizes. Passado-se um mês eu, por contra própria, comecei a tomar 2 mg sem o psiquiatra saber, afinal aquela sensação terrivelmente boa estava diminuindo e minha mente pensava que jamais conseguiria viver de outra forma. Tudo era tão cômodo... Eu comecei a alternar entre 2 mg, 1 mg, 3 mg, 6 mg, eu já estava me descontrolando em relação a ele. Qualquer estresse, por menor que fosse, "vou lá tomar um Rivotril", e como mágica a sensação passava e tudo voltava a ser anestesiado. 

Passaram dois meses. Começaram os tremores, as dores de cabeça, os "brancos" na memória, e a vontade irresistível de tomar cada vez mais doses mais fortes. Nesse momento, enquanto estava com 2 mg na mão - em vez do 1 mg que o psiquiatra passou - eu pensei "isso não vai me ajudar, eu vou tomar mais e mais, e onde isso vai parar?"... As minhas mãos não paravam de tremer, mas eu cortei o comprimido no meio e voltei a tomar 1 mg todos os dias conforme a prescrição médica.

No mês seguinte, não sentia mais a sensação de estar anestesiada, durava algumas poucas horas, e quando acabava, a ansiedade estava maior. Meu corpo sentia necessidade de tomar mais um - mas eu não cedi. Entendi que meu problema era mais profundo e passei a analisar junto com a minha psicóloga outras questões que me incomodavam. 

Mantive a mesma dose, exceto em surtos psicóticos (quando eu tenho que tomar algo mais forte), e na última consulta devido a minha memória recente estar muito destruída, meu psiquiatra pediu para diminuir para 0,5 mg. Minha mente protestou, gritou, mas eu não cedi. Estou sofrendo fisicamente com muito mais tremores, dores que eu não sentia voltaram duas vezes mais fortes, dores de cabeça apareceram, mas eu não vou ceder. Eu aguento. Eu aguentaria mais. Eu aceitei o desafio. 

Esse inocente comprimido branco quase destruiu a minha vida, quase me tornou uma viciada, quase acabou com a minha memória e não é exagero. É a verdade. Eu estou sofrendo fisicamente e mentalmente pela falta dele, mesmo tomando 0,5 mg, meu corpo não está satisfeito e me faz sofrer bastante, mas eu não ligo, observo e continuo a minha vida. 

Provavelmente na próxima consulta, ele vai pedir para parar de tomar ele. Eu não vejo a hora. No começo do tratamento, eu não queria largar, porque era mais fácil não lidar com meus sentimentos, era mais fácil ficar pausada, anestesiada do que enfrentar as situações sombrias dentro de mim. Agora eu não vejo a hora de não ver mais essa caixa na minha frente. Só me fez mal. Só atrasou minha melhora. A única coisa que ele foi útil, foi nos surtos psicóticos - só. Ele é um calmante poderoso e eu acho que só deveria ser usado em casos muito graves - que era o meu no começo do tratamento - pois os efeitos colaterais são terríveis. 


3 comentários:

  1. Não fazia ideia, quer dizer era suposto curar-te e ainda te fez pior.
    Tenta ter calma, acho que sei mais ou menos o que estás a passar e vai rápido ao médico para evitar danos maiores...

    Ah e já te estou a seguir!

    Bjxxx

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  2. Achei a sua matéria tão interessante que tomei a liberdade de pegar o seu relato e colocar no meu blog. Espero que você não fique chateada, mas muitos de nos deprimidos não temos a real noção dos maliciosos dessas drogas. http://depressaoedesespero.blogspot.com.br/

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  3. Comecei a tomar Rivotril eventualmente em 2002, quando minha namorada teve Síndrome do Pânico.

    Na época, antes de tomar, sentia falhas no batimento cardíaco, devido ao alto stress e passei a tomar algumas gotas. Como num passe de mágica, meu coração ficou ótimo.

    Como sentia insônia, o remédio me ajudava, mas não me fazia dormir. Depois, morando em Portugal (lá eu podia comprar a droga sem receitas, dizendo que já usava há algum tempo), notei que ele acabava com minhas dores de cabeça nas têmporas, as quais eu sinto desde os meus cinco anos de idade...

    Faz um ano que parei de tomá-lo diariamente, pois meu psiquiatra o receitava para situações de emergências nervosas, digamos assim e hoje noto:

    Minha memória foi para o espaço! E atualmente tenho dificuldades até para conversar, pois as palavras algumas vezes fogem da minha cabeça, inclusive para coisas banais, do dia-dia;

    Insônia persiste, porém estou resolvendo com melatonina, a qual nossa Anvisa proíbe no Brasil! Suplementando com melatonina, minhas dores de cabeça de quase diárias passaram a ser quinzenais...dores musculares que eu tinha, simplismente sumiram e o Rivotril não ajudava neste sentido...

    Sofro de enorme cansaço e sono diurno. Está muito difícil acabar com o sono diurno, que inviabiliza que eu trabalhe atualmente, fora a depressão enorme que sinto...

    Enfim, muito cuidado com esta Droga.

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