quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Apenas uma reflexão

Todos os direitos reservados. Foto tirada por mim.

Quando comecei esse blog, inicialmente, meu diagnóstico era depressão moderada e ansiedade generalizada. Eu sabia que havia algo de muito diferente comigo, mas não entendia o que. Ao final de 2014 foi confirmada que todos meus sintomas e graves crises, na verdade, eram parte do que a psiquiatria chama de transtorno da personalidade borderline e, enfim, a partir de 2015 eu pude encontrar o tratamento correto


Estive de férias nestas últimas semanas e viajei durante o dia 20 a 25 de novembro para uma pequena cidade do interior. Achei que tudo ia ser lindo e maravilhoso, mas já no primeiro dia eu tive uma crise borderline que estragou o dia. Tudo bem, ainda restavam quatro longos dias. Eu melhorei, me droguei (rivotril) e fingi que podia seguir adiante, mas a vontade de morrer era gigante. 

Nos outros dias acabei ficando fisicamente doente, minha pressão baixou, eu passei mal do estômago (com muito vômito) e fiquei dois dias sem conseguir comer ou me levantar da cama. Ou seja, férias bem frustradas! Mas eu não vim aqui reclamar e sim refletir. Enquanto passei alguns dias deitada em um hotel mais ou menos confortável pude perceber como a vida consegue ser efêmera. Eu não passava de um corpo inútil e sem forças, vulnerável, que nada podia fazer além de dormir. Como eu cheguei nisso? Era a pergunta que se passava pela minha mente. Eu sabia a resposta. Eu cheguei nisso quando eu me recusei a ser quem eu deveria ser e passei a atender às expectativas das pessoas ao meu redor. A culpa é minha, da personalidade borderline, das escolhas que eu fiz erradas. 

Meu corpo estava claramente me dizendo que não suportava mais tanto peso na costas, tantos sapos engolidos, tanto orgulho ferido, tanto fingimento em demonstrar que está tudo bem quando estou desmoronando por dentro. Eu queria ter uma notícia melhor para dar. Queria estar curada, como estava MESMO me sentindo há algum tempo, mas eu mesma acho que me enganei. Era o que meu ego queria, mostrar que eu havia me superado e me curado, mas não, aqui estou eu, de joelhos, sob lágrimas, sangue e raiva, tudo ao mesmo tempo. 

Ver meu corpo ali, deitado, sem reação, fragilizado e doente me fez perceber o quanto eu me deixei de lado, me abandonei, me reneguei, me vendi. A culpa é minha. Não é de mais ninguém além de minha. E com isso eu aprendi que a primeira pessoa de quem eu tenho que cuidar sou eu mesma, da minha saúde física, mental e emocional, não importa o que os outros pensem, o que eu vou perder, quem eu vou perder ou seja lá qual for a desculpa, é uma questão de vida ou morte agora. Não posso mais viver assim!

Um comentário:

  1. Olá,

    Fiquei muito feliz com seu comentário no meu blog. Senti que pela primeira vez alguém, além dos robôs de indexação do google, tinha lido meu blog. Isso me fez sorrir :-)

    Acho que a maior parte de nós tem isso tudo no fundo porque não olha para si mesmo em primeiro lugar. Quantas vezes deixamos o projeto "eu" de lado por conta do mundo à nossa volta, as expectativas dos outros, o projeto dos outros.

    Fico na dúvida sobre o motivo que nos leva a fazer isso. O que tenho certeza é que precisamos olhar mais para nós, por mais que isso revele coisas que queremos deixar ocultas. Não sei se é a melhor forma de chegar a "cura" mas acho que é um processo inevitável para quem quer vencer a luta diária...

    Força aí no seu projeto!

    Abs

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