domingo, 18 de janeiro de 2015

Um enorme e profundo vazio





Em um mesmo dia eu sou capaz de experimentar, com bastante intensidade, todos os tipos de sentimento. Minha mente salta entre pólos opostos o tempo todo. Alegria-tristeza, dúvida-certeza, quero-nãoquero mais, e assim por diante, mas nada é tão permanente como o sentimento de vazio, ou melhor, de vácuo. O vazio você preenche por um tempo, mas e o vácuo? Segundo o dicionário o vácuo é um espaço, real ou imaginário, não ocupado por coisa alguma. Simples. Você pode ocupar um lugar vazio, mas não um vácuo.

Na minha visão deformada pela personalidade borderline eu tento preencher o vácuo como se fosse um simples vazio. Eu compro coisas das quais não preciso, faço coisas por impulso e me arrependo, eu uso a comida como uma compensação ou então minha mente fica obsessivamente pensando em alguém (não precisa ser uma pessoal real, basta a possibilidade de existir)... Eu passei os dias da minha vida tentando compreender que vazio era esse que nada do que eu fazia preenchia, nenhuma arte, nenhuma escrita, nenhum choro, nenhuma doença, nada! Hoje eu sei que é porque esse espaço nunca poderá ser ocupado por "coisa" alguma. Esse espaço pertence ao Eu. Não o eu de agora. O Eu de verdade. Aquele que sabe, aquele que simplesmente É. Não estou falando de religião, talvez de psicologia. Na maioria do tempo talvez eu nem saiba do que estou falando tamanha a necessidade de preencher um vácuo que não pode ser preenchido por coisas.

Eu não sei quem sou eu. Percebi isso aos 12 anos quando me olhei no espelho. Eu não me sentia real, eu não queria estar viva, eu só sentia coisas absurdamente em um nível muito alto. Tudo parecia tão dolorido, tão imenso e sofrido. Eu não me sinto confortável no meu corpo, com a minha mente, não sinto que pertenço a lugar algum, não consigo ficar bem em lugar nenhum, me canso das pessoas com facilidade, apesar de amá-las profundamente. Eu sou um mistério para mim mesma. Uma dualidade sem solução. Alguém que não pode ser ocupada por coisa alguma exceto por si mesma, mas quem sou eu? Sou eu essa que vive de surtos em surtos? Sou eu essa que, em surtos, diz o que não quer, faz o que não quer, sente demais, chora demais? Sou eu essa que não suporta a própria existência? Sou eu essa que não suporta a própria aparência, o próprio corpo e a incapacidade de lidar com sua própria mente? Sério. Eu não sei quem eu sou. Sei que cada dia se torna mais e mais confuso, eu caio no vácuo em um ciclo sem fim. Peço ajuda, tento explicar, mas ninguém parece entender. Oras, nem eu mesma entendo. Como uma pessoa pode sentir tanta coisa em um dia? Em minutos? Como posso viver uma vida como um furacão que, de surpresa, arrasa a vida das pessoas que me amam? Como?

Eu não sei quanto tempo eu tenho. Minha mente me implora para escolher entre a vida e a morte, e eu sempre tento escolher a vida, antes que a morte tome total controle sobre mim. Mas o tempo está passando, e eu não me sinto melhor, pelo contrário, eu caí num buraco justamente no momento em que eu achava estar no caminho certo. Mas eu vou continuar procurando esse Eu. Ele tem que preencher esse vácuo. Esse espaço está esperando por Ele (mais uma vez, não estou falando de religião)... Só espero que não demore muito, porque já se passou tempo demais.

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