quarta-feira, 18 de março de 2015

Depois da tempestade...


No post anterior, eu estava saindo de uma crise de "instabilidade emocional/borderline/o que quiser chamar" e, por isso, estava sentindo uma raiva descontrolada e profunda. Estava com raiva de mim mesma, do mundo e acabei entrando na "conversa fiada" da minha mente de que todo o trabalho que tive até agora para me manter em equilíbrio foi tempo jogado fora.

Enfim, eu sobrevivi até hoje. Pensei em suicídio sim. Planejei sim. Mas esperei a vontade passar, até porque eu queria apenas que as vozes e as alucinações parassem, e não que eu desaparecesse da face da Terra. Consegui chegar - ainda um pouco brava - até a psiquiatra e lá, pela primeira vez, eu fui acolhida de uma forma diferente. Ela me lembrou que eu fiquei quase dois meses sem ter essas crises e que isso era MUITA coisa, algo a se comemorar dançando e pulando de alegria. Ela disse que eu não podia desistir agora só porque aconteceu isso, afinal eu já passei por isso antes e estou viva, e, desde que eu entrei naquele consultório o meu único comprometimento era não deixar me abater por essas coisas "estranhas" que me acontecem. Ela foi firme e doce ao mesmo tempo. Disse o que eu precisava ouvir, mesmo eu não gostando muito. Claro que, parte de mim, queria encontrar um Salvador que cuidasse de mim e resolvesse todos os meus problemas, mas uma outra parte, muito mais forte, quer ser livre APESAR de tudo - porque TALVEZ não haja uma cura total. 
Ela me incentivou a continuar fazendo todas as coisas que eu faço, mesmo as que eu acredito ser apenas efeito placebo (não, eu não mudei de ideia) porque isso empodera a mente... quer dizer que estou fazendo um movimento para estabelecimento de novos caminhos... Ela me lembrou o quanto eu fui forte, equilibrada, e o quanto fui feliz nestes quase dois meses, os planos que fiz, as risadas que dei, os textos que escrevi, a sensação boa de estar viva, enfim, ela lembrou que isso é que foi REAL. Realidade. De repente, eu me lembrei o que era realidade. Aqui e agora. Presença. A crise foi momentânea, mas passou. Poderão vir outras... que também vão passar. O que eu não posso é deixar me abater! A vida é feita de ciclos, lembra? Como foi que eu deixei minha mente me deixar esquecer desse mantra?!
É a primeira vez que eu sinto uma conexão 100% estabelecida com uma psiquiatra. Eu sempre tive um pé atrás porque ficava esperando a hora que ia dar tudo errado. Hoje eu fiquei também, mas quando ela me disse o que eu precisava ouvir e não o que era "bonitinho" e "otimista", eu vi que estava com a pessoa certa para mim. E não tive nenhuma dúvida de que é ela quem vai ser a minha ponte para a cura (ou pelo menos uma diminuição parcial) do meu problema [2016: não foi dessa vez]. Um fio de esperança nasceu novamente dentro de mim...


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