domingo, 29 de março de 2015

Talvez eu decepcione você


Eu não tenho muito o que reclamar da vida. Eu reclamo, claro, sou um ser humano como qualquer outro, e é da nossa natureza reclamar, mas, no fundo, eu sei que não tenho muito do que me queixar. Hoje em dia eu sou uma pessoa muito diferente e muito melhor do que eu era há dez anos atrás e isso é um grande passo para mim. Ainda não sei quem sou eu. Ainda estou me procurando aqui dentro, mas hoje eu sei que a resposta existe e eu vou encontrá-la um dia.

Algo que ás vezes me incomoda são as expectativas que as outras pessoas colocam sobre mim. Elas esperam que eu aja ou responda de modo x ou y, porém eu funciono de um modo muito diferente. Eu já estou acostumada a ver aquela expressão de "decepção" no rosto de pessoas que eu considerava amigos. Eu costumava ficar triste com isso, porém hoje eu sei que a decepção é pura e exclusivamente problema da outra pessoa, pois eu não fui feita para agradar ninguém. Gosta quem quer, odeia quem quiser também. É claro que pela própria natureza do meu transtorno, eu prefiro muito que você me ame, mas a cada dia mais eu sei que eu não preciso de caridade ou pena, eu preciso de oxigênio. Preciso de amor ao próximo - amor obsessivo ou comprado, não. Preciso de pessoas que queiram amigos verdadeiros - pessoas que só querem outras que concordem com elas, não, obrigada. 

Eu não sou a pessoa mais fácil do mundo e nem a mais agradável, minhas opiniões são fortes (e elas mudam fácil, sim), minha personalidade é bagunçada, ás vezes sou frágil demais, ás vezes forte demais. Tem gente que acha que eu sou grossa, mal educada e desequilibrada. Foda-se. Ah sim, tem gente que odeia que eu fale palavrão. "Mulher, não pode falar palavrão", "Ai, uma moça dessas falando palavrão!". Eu falo o que penso, o que quero, quando eu quiser e do jeito que eu quiser, e isso incomoda tanta gente que deve ter uma fila de pessoas que me odeiam. Dizem que eu estou doente porque sou assim (nossa, isso que é amor ao próximo, né?). Ah, e eu sou bem irônica também quando eu quero. A única coisa que eu quero deixar claro para essas pessoas (que falam coisas sobre mim) que eu sei que leem aqui é que  eu não quero agradar ninguém, se eu tenho ou não amigos não é da conta de ninguém, eu gosto de estar sozinha, talvez eu faça mais sentido assim, não tenho que ouvir as mesmas idiotices do tipo "você não concorda comigo, então te odeio" (e eu que sou a doente, né?). Eu gosto de seres humanos de verdade. Do tipo que eu posso discordar, e tudo bem. Onde cada um respeita o espaço do outro. No seu espaço, eu respeito as suas regras, no meu espaço, você respeita as minhas. É assim que eu funciono. Se você não gosta do meu estilo tudo ou nada, então, sinto muito, eu vou decepcionar você.

4 comentários:

  1. Me parece estranho estar comentando em algo tão "antigo", como se eu estivesse atrasado. Também me parece incorreto comentar sem ter lido tudo que você escreveu no blog, como se eu não lhe conhecesse o suficiente para ter esse direito.
    Bom... melhor escrever logo. Até me perdi.

    Normalmente eu não comentaria, afinal não estou trazendo nada de útil, não estou contribuindo. Ainda mais por não me lembrar com certeza o que queria falar.

    Imagino que tudo isso parecerá bem estranho, mas como estou tentando mudar, comentarei mesmo assim.

    Espero realmente (vindo de um estranho que não conhece quase nada sobre você não parece grande coisa) que consiga melhorar! :)

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    1. Não parece estranho, parece humano e verdadeiro. As palavras as vezes devem ser ditas sem todo o filtro da racionalidade. Eu gostei do seu comentário. Obrigada :)

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  2. Adorei seu blog. De todos que tenho lido depois do diagnóstico foi o que mas me chamou a atenção. Pelo menos desejo de encontrar um equilíbrio no meu "desequilíbrio" aceitar quem eu sou,aprender a conviver com isso da melhor maneira possível... Nunca levei o tratamento a sério, abuso de álcool e fumo maconha... Mas hoje estou disposta. Qurro ser feliz, entende? Bjs

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    1. Oi, obrigada por comentar, entendo sim! Entendo demais! Eu também não levava o tratamento a sério (abuso de álcool), mas eu compreendo que leva um tempo (o nosso tempo, o tempo de cada pessoa) para conseguirmos levantar. É natural. Sinta-se abraçada. =)

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