quinta-feira, 9 de abril de 2015

Uma visão bem particular sobre o borderline/limítrofe





Eu não sou médica, nem psicóloga, nem terapeuta. Eu tenho o transtorno da personalidade borderline. O que eu vou escrever abaixo é minha opinião e visão pessoal segundo a minha experiência de vida. Se você não concordar, não tem problema. Não é algo científico, nem nada assim, é apenas algo que eu descobri que serve para mim e tem me ajudado a me compreender melhor.

Desde sempre eu lembro de ser diferente. Eu sempre fui muito sensível, chorava demais, me irritava muito fácil, amava demais, me preocupava demais, tudo era demais, mesmo quando eu era apenas uma criança. Minha cabeça era (é) uma verdadeira bagunça onde acontece de tudo desde pensamentos obsessivos até rompimento com a realidade. Ultimamente, através da meditação e do yoga, eu tenho pensado mais sobre a descoberta da minha personalidade borderline. Finalmente, ninguém tem mais dúvidas. Eu também não.

Eu vivi a vida inteira, tenho 28 anos, tentando me equilibrar em uma corda muito fina que balançava entre um mundo bagunçado (a neurose?) e um mundo imaginário (a psicose?). Eu nunca consigo prever para qual lado eu vou cair em uma crise, porém eu sempre vivi no mundo bagunçado onde reinava a dor, a sombra, a automutilação e o fato de lidar com a morte todos os dias. Mas...hoje eu estava sentada em um cadeira e meus pés estavam separados por um linha. Um pé de cada lado dessa linha. Isso me levou a uma reflexão. E se eu parasse de me equilibrar nessa corda e aceitasse que eu sou um ser humano que vive em dois "mundos"? Eu sou um ser duplo, de luz e sombra, onde a luz é dupla e a sombra também é dupla e a junção disso tudo forma a base para que eu possa construir um Eu totalmente original. Eu sempre tenho essa sensação de que eu não existo. Talvez eu tenha que me construir. Será que isso é tão ruim assim? Afinal... eu poderia ser o que eu quisesse desde que lembrasse da minha base. Claro, isso pode parecer loucura. Como assim um ser duplo? Não existe isso! Um duplo contido em um? Não é assim a vida? O yin e yang? O bom e o mal? Tudo não contém uma polaridade? Parece que o borderline é o máximo do máximo disso. Por isso o sofrimento é tão grande.

Algumas pessoas me disseram, durante minha busca por uma cura... (mas como se cura uma personalidade?)... que eu devia viver 100% na terra, presente... Ficar presente, ao meu ver, não é ficar na terra 100% do tempo, eu acho que é caber em si mesmo, aceitar quem se é, saber lidar com seus sentimentos e saber que, na hora de uma crise, você sabe o que fazer. Isso é estar presente, você é totalmente consciente sobre si. Não há nada a esconder, não existe sentimento ruim, você simplesmente vive. Eu me sinto muito culpada por cada crise de raiva e agressividade que eu ainda tenho. Mas hoje eu percebi que eu não tenho culpa nenhuma. Não existe um culpado. É minha personalidade. E eu aprendo muitas coisas com ela. Quanto mais eu resisto, mais a guerra aumenta dentro da minha cabeça. Claro que é uma coisa terrível ter o transtorno também. O transtorno é algo assustador. Mas eu tomo medicamento. Eu faço outras terapias. Eu faço o que tem que ser feito. Mas eu percebo que a raiva por estar doente não vai levar a lugar nenhum...e tenho refletido bastante sobre o que eu sou e quem eu quero ser. Essa ideia de "duplo contido em um" fez todo o sentido para mim, pois é assim que eu me sinto: vivendo em dois "mundos": um real porém neurótico e outro imaginário porém que, de vez em quando, interfere na realidade. Existe um equilíbrio nesses dois mundos. E eu sinto que eu estou prestes a encontrar.

2 comentários:

  1. Oi!

    Acho muito coerente o que escreveu. Nos aceitarmos e pararmos de sentirmos culpa ou derrota pelas crises talvez seja o caminho para buscar esse equilíbrio. Esse processo pode demorar muito mas temos que fazer... Espero que encontre o seu o quanto antes :-)

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