terça-feira, 12 de maio de 2015

21 dias


Vinte e um dias sem crise. 21. Continuei vivendo entre os altos e baixo do humor, mas nada que conseguisse tirar o meu chão ou a minha sanidade. Até agora. Claro que não se compara ao que vivi anteriormente. Não. Dessa vez é um pouco menos pior, mas a sensação de estar sendo puxada para dentro de um buraco escuro e profundo é a mesma. A sensação de estar desaparecendo, enlouquecendo pouco a pouco, de ver a si mesmo se desmanchando e sumindo - é igual. A mente acelerada, mendigando atenção, gritando por socorro, bombardeando minha tela mental com imagens grotescas de sangue e hipóteses terríveis do que já foi e do que nunca vai ser. É, parece que eu entrei em um filme de terror daqueles bem grotescos e, pior, eu não sei quando vai acabar. 

Eu sei, eu sei, eu deveria estar acostumada a essa sensação tão costumeira de abandono. Não tem ninguém aqui além do meu marido. Às vezes, o amor é estranho. Mesmo me vendo desmanchar entre lágrimas, gritos, palavras desconexas, e acompanhar a transformação de uma personalidade totalmente sensível para uma totalmente descontrolada e egocêntrica, que não se preocupa com as consequências do que diz ou faz, ele continua aqui, e dizendo que me ama, apesar de tudo. Acho que é por esse amor que eu não desisto. Por ver que ele acredita que eu tenho "jeito". Se ele acredita, eu consigo acreditar, eu devo acreditar. Eu devo? Já não sei agora. Minha mente transita entre o confuso e o irreal. Ora eu quero apenas chorar e me isolar, ora eu quero vestir a minha máscara e preparar a minha vingança. Não sei gerenciar essa raiva, nem mesmo sei de onde ela vem e porque ela me ama tanto!

Ah! Mas hoje... eu me senti tão sozinha. Tão... abandonada. Como eu devo ter me sentindo quando meu pai foi embora para não voltar mais... Ou quando meu avô foi embora para não voltar mais... Lembranças que me cortam a alma. Eu poderia beber (só um gole!), eu poderia tomar miligramas a mais do remédio (seria mais fácil apagar!), eu poderia simplesmente gritar e quebrar a casa toda (é mais simples deixar a raiva falar por mim), mas nada disso vai resolver. A raiva vai continuar aqui com um sorriso irônico no rosto, dando "tchauzinho" e me dizendo "até a próxima"... e eu vou passar por tudo isso - outra vez - sozinha. Por mais que eu queira que alguém me ajude, ninguém pode passar por isso no meu lugar, e ninguém merece passar por isso! 

O melhor que posso fazer por mim, é gerenciar essa crise, do jeito que tenho aprendido nos últimos meses, do jeito que dá, do jeito que eu conseguir, mesmo se eu não conseguir, mesmo se eu parar em alguma ala psiquiátrica (questão de tempo talvez...)... Sei que algo dentro de mim diz para não parar de tentar, porque o relógio corre, a vida não espera, e eu mereço muito mais do que 21 dias. 

"Sou um animal sentimental/ Me apego facilmente/ Ao que desperta o meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero/ E você vai logo ver o que acontece" Legião Urbana

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