segunda-feira, 29 de junho de 2015

Quando eu descobri que não era "só" depressão...


Eu me lembro até hoje do primeiro psiquiatra que eu fui. Eu tinha onze ou doze anos, estava me sentindo triste, chorava por qualquer coisa, e variava entre muito feliz, muito triste e muita raiva. A raiva ainda era algo que eu conseguia guardar apenas para mim, resultando em cortes e auto-agressão. O médico não parecia nenhum pouco preocupado com meus sentimentos e apenas disse que eu estava com depressão grave e receitou um antidepressivo - que não resolveu nada, me fez sentir pior e eu larguei por conta própria 1 ano e meio depois...

No fim de 2013, eu resolvi procurar um novo psiquiatra, e ele me diagnosticou com fobia social, depressão grave e ansiedade generalizada. Eu tomei dois antidepressivos e ansiolítico. Nada funcionou, eu me sentia cada vez pior, cada vez mais agressiva, porém, dessa vez a agressividade se virava contra as outras pessoas também... Depois desse psiquiatra eu procurei outro, mais caro, escritor, indicação de amigos, ele me diagnosticou primeiro com depressão moderada, depois percebeu que havia mais alguma coisa, talvez eu fosse bipolar, mas ele não tinha muita certeza. E graças a ele fiquei dependente do famoso rivotril. Tomei antidepressivo novamente, e também um antipsicótico, porque eu comecei a ter alucinações e alguns episódios de "apagão total", como se outra pessoa tomasse conta de mim, mas eu nunca me lembrava de nada - e ficava chocada com o que as pessoas diziam que eu fazia.

Não contente com esse, procurei uma ainda mais cara, da turma "holística" (nada contra, mas é que essa foi algo pessoal), e ela, conforme a dica que dei do outro psiquiatra, me diagnosticou como bipolar e me passou o maldito lítio. 30 dias com esse remédio foram o suficiente para tornar minha vida um inferno total. Não deu certo outra vez. Foi então, que, em uma consulta com a psicóloga, depois de quatro anos de terapia, ela me disse: "Agora eu tenho segurança em te dizer que você tem a personalidade borderline". Um alívio, eu senti! Mas eu precisava que um médico me confirmasse, eu precisava de tratamento, remédios, seja lá o que fosse... mal sabia eu que um transtorno de personalidade não é tão simples assim... 

Minha psiquiatra, hoje, também concorda que é o transtorno da personalidade borderline, e eu, depois de ler tantas coisas, sei também que é, mas lê-se tanta coisa assustadora sobre isso que não foi exatamente uma bênção ter saído da ignorância. Eu queria voltar atrás e continuar "achando" que é depressão (mas a depressão é só um dos sintomas do TPB), parecia mais simples de explicar, de lidar, de vencer. Mas tudo foi mudando sem que eu pudesse interferir, cada dia mais impulsiva, agressiva, vazia. Um vazio que nada preenchia, nem remédio, nem álcool, nem compras. Nada. Uma obsessão em precisar de alguém do meu lado, de parecer a morte estar só, mas ao mesmo tempo querer ficar só. Uma tempestade de sentimentos que vem e vão o tempo todo. Emoções que eu, muitas vezes, não sou capaz de controlar. Isso tudo é uma chatice, cansativo e sem propósito. Não é justo nem comigo, nem com as pessoas que convivem comigo, mas sabe que eu aprendi muita coisa sendo assim. E ainda aprendo. Todos os dias. Aqui não tem espaço para o tédio, mas se ele aparece sai de baixo que eu viro uma avalanche. Todos os dias eu tenho que me superar, eu preciso me superar. Isso tenta me engolir todos os dias desde que eu tinha 7 anos... uma doença que se construiu ao longo do tempo, que iniciou aos 11 anos, e até hoje tenta me arrastar para o lado sombrio da mente. Mas eu aprendi meus truques. Hoje em dia eu utilizo ferramentas para diminuir o dano que o TPB causa na minha vida: yoga, meditação, técnicas de mindfulness, terapia convencional e bioenergética, terapia dialética, aromaterapia e qualquer outra coisa que me faça sair dessa montanha-russa nem que seja por algumas horas. Eu ainda possuo a esperança de dias estáveis, melhores, e mais coloridos. Dias que eu não terei mais o pensamento 8 ou 80, e rirei de tudo isso. Um dia...

9 comentários:

  1. Oi Flor! Eu sou bem leiga quando o que é o trastorno, sei mais sobre a depressão em si, mas está super certa, a informação e o conhecimento são o primordial em qualquer situação ou problemas que a gente possa ter! Grande Beijo!
    Paula Juliana - Overdose
    http://overdoselite.blogspot.com.br/2015/06/resenha-promessa-da-rosa-babi-sette.html

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  2. Olá querida, convivi alguns meses numa relação apaixonante com uma border... Intenso e maravilhoso.
    Quero te pedir que você avise todas as pessoas que convivem com você sobre você ser border, assim podem cuidar de você com mais propriedade e ponderância.
    A minha, só fiquei sabendo pelo psiquiatra, após um suicídio. Nunca alguém soube ou desconfiou disso, e tenho certeza que o desfecho não seria esse se soubessem.
    Informe.

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    1. Oi, Anônimo, obrigada pelo comentário, por compartilhar sua história, você me comoveu. Sinto muito pela sua perda, eu sei que é algo muito difícil de superar! =(

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  3. Olá, estava procurando um blog sobre depressão e encontrei o seu. Li seu post, sua história...vc já procurou ajuda espiritual na religiosidade? Quem sabe não poderia ajudar... Bjs

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  4. Olá...vc já procurou ajuda espiritual através da religiosidade? Obrigada por compartilhar sua história...

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  5. estou passando por isso, afastei pessoas que amo por conta disso...pessoas estas que tem medo e pavor de mim...me sinto tão culpada, mas é incontrolável as reaçoes, os espasmos musculares, a descarga de adrenalina...não aguento mais passar por isso...busco pessoas que tenham os mesmos problemas que eu, pois a pessoas "normais" não conseguem entender, sempre tem uma palavra, uma comparação, pensam que estão ajudando...pioram ainda mais o meu estado emocional...me sinto ainda pior e muito culpada...

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  6. Olá! Parabéns pelo blog, conheci agora e lerei mais...

    Uma pergunta, depois de tomar conhecimento e aceitar o TPB, você consegue olhar fatos passados e perceber que tal atitude foi tomada devido ao TPB, ex. uma explosão de raiva, o fim de um relacionamento?

    Abração e continue no caminho :)

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    1. Muito obrigada pela visita! Sim, depois que eu aceite o fato, consigo olhar para muitas coisas do passado e vejo que foram causadas por influência do borderline, mas ainda é muito difícil lidar com algumas delas, eu tenho dificuldades em me perdoar mesmo sabendo que não tenho culpa de ter o transtorno, é complexo... Hoje em dia eu tenho muito mais consciência do que é do transtorno ou não, mas ainda tenho um longo caminho a percorrer! Abraço! =)

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  7. É bom ver que não sou a única a me sentir assim. Não sou tão "radical" quanto você, mas sinto a mesma solidão e esses grandes altos e baixos. Queria muito ter ajuda de alguém, principalmente em casa mas a cada dia que passa me sinto mais sozinha e sem esperanças.

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