domingo, 7 de junho de 2015

Sobre limites, ajuda e outras coisas


"Veja bem, eu já não sei
Se estou bem, só por dizer
Só por dizer é que finjo que sei
Não me olhe assim
Eu sou parte de você
Você não é parte de mim" (La Nuova Gioventú - Legião Urbana)
 
Sobre limites
Estou lendo o livro Pare de Pisar em Ovos - Como agir quando alguém que você ama tem transtorno de personalidade borderline, e apesar de, algumas partes serem verdadeiros "gatilhos" para uma crise ou verdadeiros convites para que os não borders (qualquer pessoa que conviva diretamente com o border) abandonem os "borders" (pessoa que tem o transtorno), tem algumas coisas que achei válidas, uma delas é a imposição de limites. Na minha experiência pessoal, eu tenho muita dificuldades com essa coisa de limite. Sério, eu fico confusa onde eu começo e você termina, então de vez em quando eu ultrapasso seus limites, e te tiro do "sério" (meu marido que o diga!). Falando assim parece algo engraçado, mas não é. 

Eu realmente invejo quem consegue saber os limites próprios, porque essa pessoa consegue compreender o limite do próximo. Eu tenho muito mais trabalho para compreender isso. Vou dar um exemplo:
 
Você está quieto, no seu canto, assistindo a televisão, não pensando em nada além do que está passando na tv, ou talvez esteja pensando no que vai fazer amanhã, mas, enfim, está calado porque está cansado ou porque simplesmente não está afim de falar. O que eu vejo? Você não está falando comigo porque me odeia e está pensando em me abandonar. Então eu tenho que ficar perguntando se você ainda me ama, se me odeia, e se quer ficar comigo, porque, na verdade, eu estou morrendo de medo de você ir embora. De tanto eu perguntar, você se zanga, então eu fico furiosa e falo que eu estava certa e que você realmente me odeia senão não estaria gritando comigo. Se você der sorte, a conversa para aí, se não pode virar a terceira guerra mundial!
 
O que eu queria muito conseguir alcançar é esse limite de saber que você só está cansado. E ponto final. Sem perguntas, sem brigas, sem gatilhos. Isso é muito desgastante.
 
Sobre oferecer ajuda
Existem níveis pelos quais a pessoa passa em um processo terapêutico, inclusive o nível "não quero ajuda porra nenhuma!". Na verdade, essa é uma velha defesa para "estou com muito medo porque tudo o que fiz até agora só está me causando muita dor". 
 
Quase todo mundo quer ajudar, mas nem sempre a gente vê isso. O meu senso de realidade é distorcido pela paranoia de achar que todo mundo me odeia e quer me prejudicar. Isso também tem sido tratado em terapia, mas faz parte do processo, e é um processo longo, chato e doloroso, porque implica em mexer em feridas do passado. O que as pessoas que querem ajudar não entendem é que o passado não foi. Ele ficou. Eu parei no tempo. Minha mente ficou lá. Eu tenho de resgatá-la, fazê-la entender que o tempo passou, que as feridas podem ser fechadas e que o hoje é seguro. Não é uma tarefa muito simples. Se eu te pedir ajudar, me ajude, mas se eu não pedir, simplesmente só diga que vai ficar tudo bem. Lembre-se que eu não sei o seu limite (e tão pouco você sabe o meu, eu reajo por instinto e no final você vai acabar ficando muito bravo comigo e eu vou ficar muito triste comigo mesma depois).

Sobre outras coisas
 
Parece que eu encostei em uma ferida velha, profunda e sangrenta. Eu não sabia que ela ainda estava lá. Eu não queria vê-la. Mas ela dói. E era maior do que eu pensava. Me levou para as profundezas do meu ser e me mostrou que as coisas não estão tão bem quanto eu acreditava e que eu preciso me ajudar. Eu fiquei com medo, horrorizada, paralisada. Horas em que achei que desistir iria consumir toda minha vida. Mas eu estou viva. Eu quero viver. Depois que o choque da realidade passou, eu decidi: vou voltar, reabrir a ferida, desinfetá-la, costurá-la e vê-la cicatrizar. Um dia, eu sei que isso será apenas uma cicatriz. Uma lembrança de que eu fui forte, persistente, e encarei de frente meu maior medo. Uma lembrança de que superei a mim mesma.

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