domingo, 12 de julho de 2015

O tamanho do vazio


Faz tempo que não escrevo aqui. Algumas coisas mudaram. Eu mudei de psiquiatra - outra vez, mas ainda estou com aquela desconfiança devido as experiências anteriores. Além disso, eu me sinto tão mal, tão vazia, cada dia mais sozinha, que eu não sei até onde isso vai dar. Não espere um texto positivo daqui em diante porque eu não sinto nenhum pouco de luz, nada de esperança... eu fui fazer um exercício para saber como me sinto e a resposta foi "morta", "vazia", "oca". Fui desfeita em vários pedaços que foram perdidos ao longo da minha vida e que agora eu não sei como recuperá-lo e nem se é possível recuperá-los.

Eu comecei o tratamento com a quetiapina, eu não lembrava que outro psiquiatra já havia passado antes, porém apenas como remédio para a hora da crise. Agora não, eu tenho que tomar todos os dias. Ele me deixa bastante sonolenta, mas meus sentimentos ficam tão abafados que é um alívio não sentir tudo o que eu sinto normalmente. De qualquer forma, ele não me impede de escrever, o que é bom, ou então eu morreria mais rápido. 

Em minhas andanças pela internet encontro muitos vídeos positivos sobre o transtorno da personalidade borderline, o único problema são os comentários das pessoas. A maior parte dos conjuges de borderline sempre falam que é sacrificante demais e acabam indo embora, como se a gente não fosse um ser humano por quem vale a pena lutar. Eu sei que é uma luta difícil e muitas vezes injusta, mas no fim das contas, não tem nenhum culpado, o parceiro é tão vítima quanto o paciente. São duas pessoas que não sabem como lidar com um transtorno grave. E pior ainda se o seu parceiro não sabe lidar consigo mesmo, você vai ser um espelho bem incomodo. Essa é a verdade. Eles dizem não suportar o borderline, mas será que eles suportam a si mesmos? Oras, o borderline não tem culpa de ter o que tem, vá culpar a evolução, a genética, deus, sei lá, mas a pessoa não escolheu viver assim, não é justo culpá-la. Ainda mais se a pessoa busca tratamentos, é ainda mais injusto. Não é o meu caso, meu marido convive a 8 anos comigo, e entre altos e baixos, ele compreende e tenta ajudar (mas ás vezes ele se descontrola porque é um ser humano). 

Eu não deveria me importar com comentários que denigrem, mas eu não consigo evitar. Eu caio no vazio. Eu entro na dor. A dor de ser o que eu sou. Meio animal, meio humana, alguma coisa estranha que a vida, por algum estranho motivo faz questão que esteja respirando. Eu só sei dizer que isso machuca muito, em um nível que não tem comparação. Além disso, saber que machuco outra pessoa também me faz sentir ainda pior, pois eu gostaria de conseguir controlar meus impulsos e emoções. Mas eu ainda não aprendi. 

Eu vejo as pessoas aprendendo coisas tão legais como foco, atenção plena, controle emocional, e eu continuo aqui aprendendo e desaprendendo, entre uma fronteira da loucura que ás vezes eu transponho. Aí eu me sinto um fracasso, como se tudo o que eu fizesse ou dissesse não tivesse a menor diferença para ninguém. A confusão, a raiva, o medo, a tristeza, de repente, tudo tomou conta de mim. Eu tenho uma única certeza... eu preciso de ajuda. Eu preciso de alguém, de carinho, eu preciso... Chega a ser humilhante precisar tanto do reconhecimento de outras pessoas. Vazio. Vazio profundo. Vazio que dói. Vazio que nada preenche. 24 horas por dia vazio. Quem sou eu? O que eu quero? Para onde eu vou? Eu ainda não tenho essas respostas, preciso que alguém me diga ou fico desorientada. Para alguns eu sou uma pessoa que precisa de ajuda e que vai melhorar com o tempo, para outros eu sou um peso, algo que deve ser excluído e isolado - difícil não se sentir mal quando você sabe que tem pessoas que pensam assim sobre você. Mas eu vou aprender a separar isso dentro de mim. Eu tenho que aprender, agora é uma questão de vida ou morte.

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