terça-feira, 10 de novembro de 2015

Instabilidade afetiva

Critérios para Transtorno da Personalidade Borderline segundo o DSM-IV (A "Bíblia dos Psiquiatras"): 1. Instabilidade afetiva acentuada devida reatividade intensa do humor (por exemplo: episódios de disforia, irritabilidade, ou ansiedade geralmente durante algumas horas e raramente, no máximo, alguns dias).


 Já falei aqui sobre o critério número (4) a impulsividade, agora vamos falar sobre o critério número (1) a instabilidade afetiva. Ser instável é um bagunça das grandes em se tratando de relacionamentos interpessoais, pois, inevitavelmente magoaremos e seremos magoados. Não tem jeito. O equilíbrio aqui, eu acho, é aprender a lidar com a pausa entre uma mágoa e outra. Mas se você tem um transtorno mental cujo o centro é a instabilidade emocional aí a coisa fica mais complicada. Por uma coisa que as pessoas consideram mínima, o seu cérebro pode reagir de forma completamente "desproporcional" e "exagerada" fazendo com que você seja inundado de sensações surpreendemente fortes e aniquilantes como choros que não pode controlar, gritos que não consegue soltar, uma vontade louca e incontrolável de sair correndo por aí gritando, uma raiva que sobe dos seus pés a cabeça como se estivesse corroendo seus órgãos pouco a pouco, então você começa a sentir aquela dor. A familiar dor que vem de lugar nenhum, mas se espalha por todo o seu corpo. Transformando-se em agonia, angústia, ansiedade e vazio. Aquela sensação de que não importa o que você faça, nada vai te preencher. Eu fico variando entre a raiva excessiva, o choro excessivo, a dor, a culpa, a vergonha, a frustração, o medo, a vontade de morrer, de melhorar, tudo em minutos, segundos, horas, quem sabe... O tempo parece não fazer o menor sentido nesses momentos. 

Deitada no escuro do meu quarto. Devia ser um local seguro, mas nunca é. As sombras me engolem. Me lembram que eu sou tão invisível quanto elas. Nos tornamos uma só a noite. E então eu posso sentir o vazio me engolir. Como a morte. Será que morrer é essa a sensação? Eu não sei. Mas se for, não parece ser tão desesperador. O apego a vida sim, esse é o ponto. Toda essa coisa de lutar por mim, lutar pela minha vida, parece sem propósito nesses momentos. De repente, minha vida fica colorida, existe futuro, uma vida nova, um recomeço, quem sabe, mas aí a realidade me dá uma grande tapa na cara. Não, o futuro não é tão simples, o recomeço é possível desde que você se livre do passado, e a vida que eu quero depende do sacrifício do meu coração. Eu simplesmente não quero que as pessoas me compreendam mal. Não quero que as pessoas façam o que eu quero, quero que haja uma troca. Estou cansada de ser a única pessoa que se esforça, que oferece, que dá, que sofre, agora mesmo eu estou em uma crise, entupida de remédios que eu nem deveria ter tomado, sinto muito ao meu psiquiatra que sempre deposita tanta confiança em mim, mas sinto mais ainda por mim. Eu não mereço isso. O preço depois é caro demais. 

Ser uma pessoa em um segundo e mudar da água para o vinho é algo assustador para quem convive conosco, mas é ainda pior quando nos damos conta de nosso comportamento. Bate o arrependimento, a culpa, o desejo de voltar no tempo e mudar. Queremos mostrar que não somos todo esse monstro que as pessoas acreditam que somos. Temos cura, podemos aprender a ser pessoas melhores, mais eficientes e controladas emocionalmente, mas isso não acontece de um dia para outro. Tudo isso leva tempo. E apesar de eu ter um diagnóstico que me limita em muitos aspectos devido aos preconceitos das outras pessoas, eu tento todos os os dias mostrar que eu sou um ser humano normal, com altos e baixos, lidando com um transtorno que é mega terrível, mas que eu acredito que vai ser superado mais cedo ou mais tarde, mas eu preciso de toda a ajuda que as pessoas puderem me oferecer. Toda. Eu jamais fui alguém de pedir ajuda, mas agora eu peço. Porque, ás vezes me sinto tão vulnerável e entregue a minha própria sorte que simplesmente não sei a quem recorrer....

3 comentários:

  1. Você não está sozinha, sua melhora virá com o tempo, durante o caminho é normal cairmos. Eu acredito em você.

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  2. Ô Michele, você descreveu com absoluta precisão e sensibilidade os meus sentimentos e o meu comportamento no cotidiano de muitos anos.
    É descer ao inferno varias vezes durante o dia, ou a noite, sem ter absolutamente ninguém a quem pedir um socorro.
    Isso me magoa profundamente.
    É exatamente assim que me sinto.
    Como que é lançada varias vezes, sem prévio aviso, de um gigantesco penhasco sem fim, que caio em queda livre.
    São sensações e sentimentos absurdamente destrutivos, e violentos de uma DOR inominável; em que sempre a mágoa aparece num plano gigante.
    Mágoa e raiva do mundo, de todas as pessoas, principalmente dos meus.
    Cansei e desesperancei completamente, de esperar ajuda de quem quer que seja. Nunca em toda minha tive alguém que me compreendesse, tão pouco que me ajudasse .
    Sempre tive dificuldade em pedir ajuda; Mas hoje, eu já peço . Vivo pedindo. E mesmo eu pedindo, as pessoas não levam a sério, não se disponibilizam, não QUEREM saber dos meus problemas . E banalizam de forma escrota a minha dor.
    Meus filhos, que são minha própria vida; não teem qualquer paciência comigo.
    São intolerantes e imaturos ao extremo; e me dizem sem qualquer cerimônia que todos tem os seus proprios sofrimentos, e cada um deve lidar com eles sem encher o saco de ninguém.
    Isso me desestabiliza completamente. E decidi por nunca mais procura-los para me queixar da falta de carinho, de abraço, da TROCA de afeto que nunca existiu entre nós.
    Cansei de ser a única a me doar, a procurar, a me disponibilizar, a socorre-los em seus problemas, quando eu mesma me sentia estilhaçada .
    Cansei de ser amor, a todos que não saber o que o amor.
    Me sinto depreciada, desmerecida, ignorada, REJEITADA e desprezada, desde a minha infância. É uma vida tentando sobreviver sózinha ao caos do desamor.
    Ninguém mais me procura. Meus filhos ficam mais de ano sem me ver.
    Da mesma forma, outras pessoas, (amigos ou parentes).
    Dizem que não suportam chôro e depressão. E quem ninguém quer perder tempo com pessoas depressivas e/ou problemáticas.
    Por conta desse egoísmo e dessa insensíbilidade, eu fui me isolando ...
    E me isolei completamente. Você não imagina o quanto isso é terrível .
    Meu auto estima zerou. Não consigo me resgatar .
    Sinto-me bicho, deslocada, feia, estranha, humilhada .
    Tenho plena consciência da minha depressão .
    Tenho crises auto destrutivas de todas as naturezas.
    Choro muito. E não consigo mais me socializar.
    Queria mais que tudo nessa vida encontrar uma mão estendida; mas as pessoas são tão superfúlas e egoístas, que não tenho mais esperança.
    Até um ano atrás, eu sonhava encontrar um amor; alguém pra me abraçar, pra me ouvir ; ... sem me julgar, e sem me rejeitar.
    Um homem que viesse pra trocar . Essencialmente para amar e ser amado.
    Hoje não alimento mais isso.
    Não consigo ver uma luz no fim do túnel. E sinto medo.
    Penso que ninguém gosta de mim, e que ninguém gostaria de estar ao meu lado.
    Meus sentimentos estão em ebulição , e todos misturados .
    Queria muito ser amada, aceita, compreendida...
    E isto dói quando penso que é apenas um sonho, NÃO acessível a mim.
    Desculpe o desabafo Michele; eu sinto vergonha quando expurgo esses sentimentos.
    Mas é exatamente isso que sinto e que estou.
    Beijo querida.

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  3. Vocês descrevem perfeitamente essa DOR que eu também sinto. As vezes uso toda a força q tenho em mim pra sair de casa umas horinhas e investir no meu sonho que é me formar em Psicologia. Nesses nomentoz tento conversar com as peasoas da área, explicar o que sinto, mas elas sequer acrefitam que eu preciso de remédio. Elas não estão presentes nas madrugadas que passo chorando compulsivamente. Eu quero tanto ser feliz, achar um companheiro, ir a shows, me maquiar, me sentir bonita. Quero viver, mas a dor me paralisa!

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