quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O lado da bom da persistência

"A vitalidade é demonstrada não apenas pela persistência, mas pela capacidade de começar de novo" F. Scott Fitzgerald 


E lá estava eu outra vez. Não sei como cheguei em casa. Culpa era o que eu sentia. Confusão mental, tremor, uma espécie de afogamento. Minha cabeça doía, meu corpo doía. Uma dor tão grande se espalhando como um vírus... vindo de todos os lugares, mas ao mesmo tempo de lugar nenhum. Como se alguém tivesse acabado de me provocar uma ferida muito dolorosa, eu queria gritar, mas eu só conseguia chorar. O grito ficou parado na minha garganta. Eu falava num sussurro (ou eu gritei?) "pare com isso, por favor", "pare!", em meio a lágrimas, talvez cortes, talvez bati minha cabeça na parede, quem sabe? Eu não me lembro, sei apenas de marcas e dores que senti depois. A vergonha. O medo. O torpor. A culpa. A expressão de surpresa da minha mãe ao perceber que eu realmente não me lembrava de parte do que havia ocorrido, e a minha expressão de agonia por saber que ela estava terrivelmente e genuinamente preocupada comigo, mas naquele dia, no dia seguinte, era como se nada tivesse acontecido. 

A questão aqui foi que aconteceu mais um episódio onde eu tive uma dissociação. Isso é ruim. Geralmente, isso me deixaria muito mal e eu desistiria de todo meu tratamento, mas eu continuei fazendo o que tinha de fazer e confiei nos meus profissionais. Eu mudei um comportamento meu que eu JAMAIS pensei que fosse mudar: eu não pensei que havia retrocedido, não achei que os remédios não estavam funcionando, não achei que estava perdendo meu tempo com a terapia, simplesmente pensei que foi um episódio ruim, mas que o psiquiatra iria me ajudar a lidar com isso melhor, para, da próxima vez eu saber lidar com a culpa e não acontecer isso novamente. Bingo! Foi exatamente o que ele fez! A culpa foi o gatilho e existe um método para lidar com ela, ele me ensinou e esse é mais um comportamento que eu tenho o poder de mudar. Isso é incrível. Eu não sou mais uma boneca passiva que entra no consultório e esperava o médico escrever na receita todos os medicamentos que me deixam pior. Agora eu tenho voz ativa, posso até discordar e tenho o poder e dever de mudar os meus comportamentos no dia a dia. 

A lição que eu tive desse dia foi que não importa quantas vezes isso acontecer daqui para frente, eu não posso desistir de mim mesma. Eu já caminhei até aqui, eu confiei, eu fiz tudo isso acontecer com ajuda de todos eles. Eu não sou mais a mesma pessoa que eu era há dois meses atrás. Tudo bem, você diz, você vai mudar de ideia daqui a cinco minutos! Eu receio que não. Esse episódio acima durou horas de uma noite. Antes ele durava no mínimo 24 horas. E desde que eu comecei esse blog uma coisa não mudou: eu persisto em não desistir de mim mesma, não importa o caminho que eu escolho.

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