quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Alguns pensamentos...



Quando eu escrevo sou guiada pela inspiração, pela criatividade e boa parte meu estado emocional. Eu não gosto de admitir que minhas emoções guiam a caneta nas minhas mãos ou os meus dedos enquanto eu digito, mas é a realidade. Eu me sinto apenas um canal transmitindo uma mensagem. Alguns e-mails na minha caixa de entrada e alguns comentários no blog me fazem lembrar que algumas pessoas ainda leem o que eu escrevo, mas eu mesma não consigo enxerga a real relevância de tudo isso, nesse momento. É esse momento, o agora, ele está escapando pelas minhas mãos como a água que corre pelo ralo da pia. Isso é tão desesperador quanto a sensação de não saber se estou enlouquecendo ou se estou melhorando. 

A vida é. Ponto final. Pura observação e análise pós terapia e do meu dia a dia. A vida apenas é. Nem boa, nem ruim, nem certa, nem errada, apenas é. O sentido nós fazemos, encontramos agora. Nesse instante. E agora eu estou naquela fronteira do tudo e do nada. E escrever parece que traz alguma luz nessa escuridão, nesse vazio. Ontem a vida poderia ser magnífica, repleta de significados ocultos, colorida, eu me sentia tão forte, decidida a seguir em frente, e hoje, agora, a vida começou a ficar cinza, sem significado nenhum, a única coisa que permanece é a vontade de seguir adiante, mesmo que seja rastejando. Eu preciso colocar isso no papel para ficar real. Mesmo porque meu cérebro não é confiável, eu esqueço das coisas tão rápido quanto meu gato escapa da chuva. Aqui acaba sendo meu registro pessoal, público, informal, quase visceral (meu diário é pior), cirúrgico, palpável, sentimental, analítico. Além disso, eu sempre tive um desejo secreto de que a minha história fosse ajudar outras pessoas de alguma forma. Eu não sei se um dia vai. Eu não sou a pessoa mais auto confiante do mundo.

Enquanto a vida é, eu tento entendê-la das formas que posso, porque esse é meu destino. Eu não consigo abandonar a ideia de tentar seguir a vida, traçar um mapa, pintar um quadro, compor uma canção, escrever uma poesia, qualquer coisa que me faça compreender o que, afinal de contas, é essa coisa a qual chamamos de vida. Ela me fascina e me assusta ao mesmo tempo. De certa forma, sinto que estou dançando com ela. Até ontem estávamos em perfeito equilíbrio, agora eu estou sendo guiada por ela. Eu não aceitava isso. Acreditava que todo ser humano devia ter a liderança de sua vida em todos os aspectos, mas hoje percebo que isso não é muito eficaz, na minha opinião, na minha experiência pessoal. Eu fui derrubada pelas minhas emoções, mais uma vez, tristeza, vazio, culpa, raiva, solidão. Eu não tenho forças para ter uma postura de otimista ou esperançosa agora. Eu simplesmente não consigo. Eu deixo que a vida faça seu papel, me lembrando que mesmo essa fase triste vai passar, e eu voltarei a sentir aquele frescor do otimismo e da alegria novamente, talvez amanhã, talvez daqui a cinco minutos. 

Se alguém me perguntar o que eu estou sentido, eu não poderia ser muito específica. Eu pareço uma explosão de tudo que acaba se transformando em nada. Vazio imenso. Muitas lágrimas já caíram ontem, hoje não me sobrou nada, apenas a sensação de não pertencer a lugar nenhum. Então eu escrevo o que vier, como se eu estivesse correndo para tentar fugir dos meus pensamentos mais sombrios. Eu escrevo em uma tentativa patética de me compreender ou ser compreendida por alguém, por aí, qualquer dia desses. 

2 comentários:

  1. A solidão me fez enjoar de mim mesmo,sinto-me acorrentado pela minha própria mente - que até mesmo fazendo um caminho diferente para faculdade me sinto mais livre - mas tudo o que eu acho que devo fazer é também seguir adiante e buscar o autoconhecimento.

    Talvez a nuvem carregada de pessimismo que paira sobre a minha vida possa dar lugar ao sol, talvez um dia, nem que seja mesmo por um dia. O vazio dê lugar ao mais extremos dos sentimentos e eu realmente possa experimentar o amor, as coisas boas. É a vida, mesma que não consiga expressá-la em palavras, faça sentido.

    Não desejo à ninguém o sentimento do vazio... o quão desesperador e sufocante é. Uma epifania.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Me identifiquei com cada palavra. Obrigada por compartilhar comigo.

      Excluir

Sinta-se a vontade para comentar, apenas não seja grosseiro.
Se quiser me escrever, envie e-mail para blogenlouqueser@gmail.com , mensagens hostis/sem propósito não serão respondidas.

Pesquisar este blog