domingo, 6 de março de 2016

Eu sou um ser humano, não sou exemplo


O primeiro post não ficou bom, então vou tentar novamente. Eu sou um ser humano, não um robô. Eu juro que tentei agradar todo mundo, mas essa tarefa é impossível. Tudo o que eu consegui foi um bando de exigências que, por mais que eu cumprisse, nunca eram suficientes. Eu poderia ser qualquer coisa, menos eu mesma. 

Como ser humano, eu sou falha, terrivelmente falha. E, nos últimos anos, vivi pressionada, sob os olhos julgadores de todos as pessoas ao meu redor, da sociedade, e, ultimamente da internet, tudo o que escrevo, compartilho, tiro foto, edito, falo e até o que penso passa por um filtro mental através da maldita pergunta: "O que será que irão pensar de mim?". Muitas vezes, eu escrevo, apago, escrevo, apago, compartilho, apago, choro, e sucessivamente, por medo, vergonha, culpa. Meu juiz interno é cruel, os juízes externos também são. Aí entra a expectativa. Ser humano tem muito disso. Eu tenho. Eu sempre coloquei as pessoas lá em cima, e no primeiro erro, descartava, sem a menor chance de defesa, só porque elas não concordavam comigo, ou não faziam o que eu queria. Um exagero tremendo, e eu sei disso. Era apenas meu cérebro, e eu não tinha nem consciência, nem controle total. Eu preferia ter razão do que viver em paz. Hoje tenho consciência e controle graças a medicamentos e terapias, e posso escolher a paz. 

Mas eu falho, eu sou uma pessoa que não sei nada, e por não saber de nada, continuo estudando, procurando, me aprimorando. Jamais tive a pretensão de me tornar uma "estrelinha", uma espécie de modelo, um exemplo de pessoa, eu não sou nada disso. Eu erro bastante. Minha vida não é pública, meus sentimentos aqui sim, são. Eu tenho medo de ser quem eu sou, porque tremo de vergonha de ser julgada. Tem dias que são bem ruins, eu não escrevo por medo de acharem que regredi. Bobagem minha. Maldito juiz! Cada dia que passa eu demonstro menos que eu realmente sou, por medo do quanto serei julgada. 

Eu não vim aqui levantar bandeiras, nem fazer ninguém acreditar em nada, ao contrário de uns e outros por aí. Eu sou apenas uma pessoa comum com um transtorno de personalidade e que, por acaso, resolveu falar abertamente sobre isso. Só isso. Por acaso, eu tenho facilidade com as palavras e as pessoas se identificam com isso, bem, algumas. Eu não estou aqui para criar ou preencher expectativas e vazios de ninguém. A única coisa que eu desejo é deixar uma mensagem de esperança, mesmo que, ás vezes, eu mesma a perca. 

Eu quero que as pessoas com transtornos mentais sintam-se validades e encorajadas a dizerem o que pensam, sem medo de serem julgadas, e mesmo quando sejam, fiquem fortes e lembrem-se que tem a si mesmas. Não importa se você estiver sozinho agora, você tem a si mesmo, então não está só. 

Eu sou um ser humano, não sou um exemplo. Eu faço um monte de bobagem. Dou risada de piadas que, provavelmente, eu não deveria, escuto músicas que não condizem com minha idade, gosto de filmes independentes, sangrentos, e gosto de falar sobre direitos das mulheres, das minorias, desde que não seja na internet. Assuntos delicados, ao meu ver, são feitos para serem ditos olho no olho. É, eu sou uma farsa mesmo. Minha válvula de escape para suporte da dura realidade é o álcool. Agora eu estou apenas mostrando o que eu sou, sem tanta exigência para que eu apenas concorde com a opinião do fulano ou do outro, ei, eu tenho a minha opinião! E esse é meu tom. Eu sou forte, escrevo como pessoa forte que sou. Ás vezes, eu sou mais "light", mas geralmente eu apenas sou forte. A única coisa que eu sempre quis na minha vida inteira foi ser livre para ser eu mesma. E nunca consegui me libertar das algemas mentais. Pouco a pouco, estou conseguindo, e, de repente, me deparo com uma sociedade me aprisionando com exigências sociais. Não. Eu estou colocando a minha exigência: eu sou minha. Ninguém encosta na minha mente. Ninguém me diz o que devo ou não pensar a partir de agora. 

É, eu sou apenas um ser humano, como você, como qualquer um. Não quero que concorde comigo, por favor. Mas se discorda, não seja mal. Você pode dizer o que quer através da crítica bem construída. Aliás, eu não sou formadora de opinião, eu, no máximo, sou considerada escritora por algumas pessoas. Um escritor inspira. E, acredite, isso é muito. Eu quero inspirar o seu melhor. Se eu não estiver fazendo isso, saia daqui, e desconsidere tudo. Não é essa a intenção. 

4 comentários:

  1. Michele,embora tenhamos idades,transtornos,vodas bem diferentes,me senti muito próxima do seu texto,da sua expressão.Grata por isso.Bjs,Marilene

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  2. Oi Michele, queria muito postar essa resposta na minha conta do google, mas tenho medo de outras pessoas ligaram o sentimento à pessoa.

    Me desculpe, por vir aqui desabafar novamente. Mas sabe, eu gosto de ouvir as pessoas, principalmente aqueles que eu tenha algo em comum.

    "Não importa se você estiver sozinho agora, você tem a si mesmo, então não está só."

    Se fosse na sexta-feira essa frase me faria tão bem... Mas hoje não. Hoje não sei se vou conseguir sequer sobreviver até a noite.

    Me desculpe, novamente. Mas hoje eu perdi o meu chão, eu me perdi... Me sinto muito mal. Eu tentei inspirar o meu melhor, mas tudo foi abaixo. Eu tento sair na situação que me coloquei, tentei mostrar a minha real faceta ao mundo, mas parece que ninguém se importar. Não tenho mais vontade de ir faculdade, de ver a vida lá fora, de ver o sol ou até mesmo a lua, perdi muito do tesão pela vida hoje.

    Me desculpe, você não tem nada a ver com isso. Mas o seu texto exprimiu o sentimento mais profundo dentro de mim... Você escreve de dentro para fora, isso te faz tão única, real e verdadeira.

    Abraços.

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    1. Olá, não se desculpe por seus sentimentos, esse espaço é para isso, você pode se expressar, eu não estou aqui para julgar ninguém. Você DEVE se expressar, colocar para fora, não importa o que seja. Está ok, se sentir assim. Eu me senti super mal ontem, chorei nas escadas de um hospital, na frente de um monte de gente, estava um pouco descontrolada, senti vergonha depois porque eu não queria demonstrar isso, mas tudo bem, paciência, acontece, a gente é ser humano, e tem dessas coisas. Ninguém deveria ter que viver sob essa pressão social de fingir ser forte o tempo todo só para agradar as outras pessoas, sabe. Então, esse espaço aqui, vocês são livres para expressar. Tem dias que estamos fortes, de repente, puff, estamos mal. Acontece mesmo... Acredite, somos fortes, ás vezes só não sabemos disso ainda. Ainda... E escreva sempre que quiser, eu sempre leio. Muito obrigada por compartilhar aqui. Pela confiança.

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    2. Obrigado pela palavras, muito mesmo!

      Ando chorando muito ultimamente também, principalmente quando caio na obscuridade dos meus pensamentos. Hoje de manhã por exemplo, chorei em um terminal de ônibus, nunca havia chorado em publico, mesmo quando me banhava de pessimismo.

      Estou realmente mal, vivi uma ilusão é quando quis encarar a verdade não aguentei. As vezes bate uma vontade de viver quando estou com os meus dois e únicos amigos, mas quando chego em casa e vejo o meu quarto, parece sugar a minha alma. O que posso fazer perante a isso? Único lugar que até domingo era o melhor local da minha vida e hoje sinto que muito dos meus sentimentos ruins está oriundo desse quarto. Tudo nele me lembra a dias ruins, tudo. Não sei o que fazer comigo, não quero ver o mundo, mas ao mesmo tempo não quero ficar no meu quarto.

      Eu temia por esse dia, mas minha casa não é o ponto de paz no qual eu sempre me apoiei. Nunca senti isso antes, não o que fazer em relação a isso.

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