sexta-feira, 29 de abril de 2016

Fugindo


"Eu segui a minha sombra e ela me trouxe até aqui
Qual é o problema se eu desaparecer?
E eu espero que eu não
Esteja perdendo a vida esta noite.

Isso tudo é sobre a borda
Isso tudo é sobre os fãs e as crianças
Isso tudo é sobre sexo
Isso tudo é sobre armas."

In The Lobby - Iggy Pop 


Eu entrei nessa jornada de autoconhecimento sem a menor pista de quem eu era, e, até hoje, tenho poucos elementos de quem eu realmente sou, na essência. Sei o que "peguei emprestado" das personalidades das pessoas a minha volta, sei que meu cérebro fez isso por mera estratégia de sobrevivência. Porém, apesar de saber muito coisa sobre "mim", sobre o transtorno borderline, pouco sei sobre o meu eu autêntico e, continuo, atualmente, me surpreendendo, positivamente e negativamente.

A novidade é que ainda existe espaço na minha mente para mais sofrimento. Lembranças e emoções tão reprimidas que só vieram à tona durante uma sessão de terapia. É, algumas terapias têm esse poder quase mágico de encantar o inconsciente e fazê-lo abrir cortinas que ele jurou que em hipótese nenhuma abriria. Mas abriu. E eu que tentava viver escondendo meu vazio e minhas emoções mais "sombrias" até de mim mesma, agora tenho de enfrentar, sozinha, o meu modo "furiosa". A situação é nova para mim. É como se eu estivesse andando em um corredor escuro, mas, dessa vez, eu acendi uma luz e vi uma porta assustadora no final do caminho. Eu estou com medo em abri-la. 

Seria cômico se não fosse trágica a minha tentativa patética de fugir de mim mesma através da bebida. Antes, era mais fácil, eu simplesmente não tinha a menor noção de quais sentimentos estavam envolvidos em uma simples lata de cerveja, agora eu sei. Eu acendi a luz. Então, eu bebi garrafas, latas, mas mesmo assim, os sentimentos não ficaram menores, eles pareciam ainda mais ampliados, como se me dissessem: "agora você nos viu, não pode mais fugir". Eles estavam ridiculamente certos. Eu não tenho para onde fugir, nenhum lugar é seguro. Meu pior inimigo sou eu mesma, nesse momento. 

Admitir que ainda haviam coisas desconhecidas dentro de mim é um tanto vergonhoso. Isso significa que eu não tenho todo aquele autoconhecimento que eu acreditava que tinha, mas também significa que o inconsciente é algo enigmático, grandioso, misterioso e muito, muito sensível. Praticamente um quebra-cabeças que, talvez, esteja fadado a nunca ser completado. Isso é incrível. O funcionamento da mente humana é mesmo algo incrível.

Um comentário:

  1. Parabéns pelo Blog! Me identifiquei muito com tudo o que você escreve.
    Também estou numa jornada de auto-conhecimento, mas o dia-a-dia me engole e sinto como se estivesse vivendo no modo automático. Me sinto invisível.

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