domingo, 24 de abril de 2016

Os altos e baixos do borderline


Faltam palavras para descrever o tamanho da bagunça que se instalou dentro da minha mente. Talvez eu pareça um disco quebrado, mas, ei, esse é um blog sobre a experiência de estar com transtorno de personalidade borderline, não é? E faz parte da jornada passar pela montanha-russa de emoções que vem e vão durante ciclos de horas, minutos, muitas vezes, segundos. Tão rápido quanto um piscar de olhos, eu mudo da tristeza para a raiva, sempre em níveis extremos. Quer dizer, ultimamente, nem sempre. Com toda medicação e terapia, os níveis do meu humor podem ser considerados mais "estáveis", porém, quando eu entro no "inferno borderline", é para valer. 

Foram tantas situações, estímulos estressantes, gatilhos emocionais, e, no final das contas, eu nem sei o motivo original do porquê minha mente se encontra no meio de um furacão desses. Perdida, sem rumo, descontrolada, com medo. Eu tento me guiar por alguma bússola interna que aponte a direção correta, para onde devo ir quando todos os outros caminhos falharem, mas daí noto que não tenho nenhuma bússola. Eu não tenho senso de mim mesma, tenho algumas poucas dicas de algo que pode ser que seja eu, e, mesmo assim, ainda tenho dúvidas, afinal, meu senso muda de tempos em tempos, dependendo do ambiente, das pessoas e do que for "socialmente aceito". Percebo que, por mais que eu odeie, existe uma busca quase patética em ser aceita e me tornar, a qualquer custo, "normal" (o que será ser "normal"?). 

Enquanto estou aqui sentada, respiro com um pouco de alívio porque atravessei o "inferno borderline", o inferno das minhas emoções descontroladas,  a instabilidade de humor, as alucinações, os delírios, a paranoia, o medo da rejeição, a compulsão por álcool, a impulsividade e a raiva que transbordava e me transformava em algum tipo de ser humano inadequado e inapropriado. Claro que não atravessei tudo isso sem sofrer sequelas. Eu carrego marcas. Automutilação. Mais uma vez. Culpa, vergonha. Mas eu estou viva. Eu respiro. Então, eu sigo em frente. Eu posso aprender a lidar com isso de outra forma, o que não posso é desistir. 

Meus olhos ardem de tanto chorar, minha garganta também, provavelmente de tanto gritar, e minha memória está repleta de buracos que eu tento preencher perguntando para a pessoa que vive comigo: o que aconteceu? É desesperador conviver com fragmentos de memória, mas é apenas mais uma coisa com a qual eu tenho que lidar. Algumas pessoas dizem que sou forte por encarar a situação assim, mas eu me sinto cada dia mais fraca, cada dia mais longe de uma possível cura. Cada vez que eu tropeço em situações estressantes e meu cérebro dispara as crises e me joga direto para o "inferno borderline" eu não sou capaz de lidar de forma eficaz o tanto quanto eu gostaria e isso me machuca profundamente. Eu gostaria de estar contando uma história mais feliz, mais animadora. Mas tudo o que eu posso dizer, com sinceridade, é que estou tentando o máximo que eu posso, dentro dos meus limites, nas minhas melhores possibilidades, e mesmo assim parece que não é suficiente, como se meu próprio cérebro me pregasse uma peça.

Um comentário:

  1. Michele, entendo perfeitamente tudo que está falando e não adianta, só quem vive isso no seu dia a dia é minimamente capaz de compreender.

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