segunda-feira, 23 de maio de 2016

É tudo sua (minha) culpa!

 Importante: o texto não deve ser lido por pessoas em crise.


Culpar (Blaming) é um traço característico não apenas do transtorno da personalidade borderline. E apesar de ser um assunto difícil, e que me deixa exposta, me sentindo envergonhada e culpada (ops!), acho importante derrubar alguns mitos sobre o assunto - para que alguns de vocês não se sintam sozinhos. 

Sempre me disseram que relacionamentos eram complicados, mas eu sempre achei que os meus eram complicados até demais. Intenso é a palavra. Imagine um gráfico cheio de subidas e descidas. Assim seria minha vida amorosa (com mais baixos do que altas, ultimamente). O traço que mais incomoda (e acredito que incomode muitos parceiros) seja o ato de culpar : "se estou assim é por sua culpa". Eu faço isso. Eu costumo dizer que meu cérebro faz isso. De repente, com coisas pequenas, eu perco o controle das minhas emoções, fico a deriva em mim mesma, perco a referência de identidade, e não sou mais ninguém além de uma pessoa perdida e bagunçada tentando se sentir melhor a qualquer custo. Um desses custos é o ato de culpar.

Psicologicamente, isso se chama projeção. Sempre que eu reflito sobre o que eu ouvi ou disse, eu acusei a pessoa sobre algo que a) não aconteceu, b) aconteceu apenas na minha mente, c) foi apenas o modo como eu me senti, d) foi algo que eu queria que tivesse acontecido ou e) foi algo que eu esperava que ela tivesse feito, mas eu não soube pedir. Raras foram ás vezes que havia um evento real e em 90% das vezes a culpa não era de ninguém, era apenas minha mente tentando encaixar sentimentos extremos na realidade. Essa é a projeção. Eu projetando em outra pessoa algo meu por puro desconhecimento, não proposital. Espero que estejam entendendo que é um comportamento desadaptativo, "doente", não é consciente, é só porque eu (ou outra pessoa) tenho o transtorno, se eu não o tivesse, eu não faria isso. Porque quando eu não estou com as emoções desreguladas, eu compreendo que as pessoas erram, eu erro, e quando isso acontece assumo meus erros e tomo a responsabilidade de meus atos.

Existem pessoas que usam esse comportamento para manipular outras? Existem, sim, mas não é meu domínio falar sobre isso, ok? Só que existem. Não é o caso do paciente com transtorno borderline. Ele não faz isso para manipular ninguém, é apenas um sintoma, algo que tem tratamento e pode ser corrigido sim, só que leva tempo. Daí eu peguei algumas dicas desse artigo sobre o que não fazer e o que fazer quando a pessoa com transtorno borderline estiver em crise e começar a culpar você. Sim, ela está em crise, não tem mais controle sobre si, então, se você puder ajudá-la, ajude:

O que NÃO fazer:

> Não entre na defensiva e valide uma falsa acusação ou projeção argumentando sobre isso.
> Não responda argumentando sobre os fatos. Culpar é sobre sentimentos, não fatos.
> Não brigue na frente das crianças.
> Não pense que há alguma razão lógica para você estar sendo culpado.
> Não pense que a pessoa realmente acredita no que está dizendo ou sempre se sentiu assim.
> Não tente curar a pessoa que tem um Transtorno de Personalidade.
> Não pense que porque a acusação deles é infundada, eles estão sendo manipuladores ou calculistas. Eles podem estar tão focados em seus sentimentos que estão dando pouca atenção aos seus comportamentos. 

O QUE FAZER:
 > Lembre-se que um episódio de culpa não é sobre você. É somente sobre o jeito que a outra pessoa se sente.
>Escute os sentimentos em vez dos fatos que são expressos. Enquanto os fatos pode ser amplamente falsos, os sentimentos implícitos são muito reais: "Eu estou com medo", "Eu me sinto inútil", "Me sinto fraco".
> Você pode formular frases com "Eu", como "Eu me sinto com medo quando você diz que"
>Lembre-se que o que a pessoa sente é temporário. Eles irão provavelmente se sentir diferente em poucos dias ou horas.
>Termine a conversa pedindo um tempinho mesmo se a pessoa não quiser. 

Um comentário:

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