domingo, 1 de maio de 2016

O que é o Transtorno da Personalidade Borderline?



Maio é o mês da consciência do transtorno da personalidade borderline segundo a Aliança Nacional para Educação sobre o Transtorno da Personalidade Borderline (NEA BPD), uma entidade norte americana referência sobre o tema. (Aqui no Brasil, a Associação Brasilleira de Psiquiatra está com a campanha do Mês Nacional de Enfrentamento à Psicofobia). 

O transtorno da personalidade borderline (TPB) é uma condição grave em que o indivíduo tem sérias dificuldades em regular as emoções. Por causa dessa dificuldade, a pessoa enfrenta instabilidade de humor, impulsividade, problemas de auto-imagem e relacionamentos interpessoais caóticos. Uma das características centrais desse distúrbio é que a pessoa tenta evitar a qualquer custo o abandono real ou imaginário.

Em média, a prevalência do TPB na população é 1,6%, sendo 10% dos pacientes de consultórios psiquiátricos e ambulatórios de saúde mental e por volta de 20% dos pacientes internados. A maior parte dos pacientes diagnosticados com a doença é do sexo feminino, cerca de 75%, porém esse número pode ser superestimado, pois os homens são, erroneamente, diagnosticados com depressão e transtorno do estresse pós-traumático.

Os sintomas do transtorno da personalidade borderline são (cada item cai pode ser clicado para uma postagem onde eu falo sobre uma experiência minha com cada sintoma, por acaso, eu sofro com todos os sintomas do TPB): 


Apesar de ainda não haver um consenso sobre as causas do transtorno borderline, existem algumas teorias:
>Genética: não há nenhum gene específico ligado ao TPB, porém  o TPB é 5 vezes mais comum em pessoas com a doença em parentesco de primeiro grau. 
>Fatores ambientais: eventos traumáticos na infância, como abuso físico ou sexual, ou negligência pelos pais (ou substituto) tem alto risco de desencadear o surgimento do transtorno. 
>Funcionamento cerebral: o cérebro da pessoa com transtorno borderline funciona diferente, isso quer dizer que há uma base neurológica que explica os sintomas. Mais especificamente, a parte do cérebro que controla as emoções e a que toma decisões/ faz julgamentos não se comunicam muito bem uma com a outra.

Não existe nenhum teste laboratorial para diagnosticar o transtorno borderline. Isso deve ser feito por um psiquiatra especializado e experiente. O médico irá escutar você e sua família e fará o diagnóstico através da identificação dos sintomas mencionados acima. O transtorno borderline pode ser confundido com outros transtornos, principalmente o bipolar. 

Atualmente esse é um dos transtornos mais tratáveis da psiquiatria - mesmo que você procure no Google, em português, e encontre sites falando o contrário - e a taxa de suicídio é altamente preocupante, entre 8 a 10%, portanto, quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de o indivíduo viver uma vida mais saudável e ficar longe do risco de suicídio. O tratamento consiste em medicamentos para estabilização de humor, antidepressivos (nem sempre, eu não tomo) e antipsicóticos; e também psicoterapia individual e em grupo. 

Existem vários tipos de psicoterapia: Terapia Comportamental Dialética, Terapia Baseada em Mentalização, Terapia do Esquema, Terapia Focada da Compaixão, entre outras. A mais utilizada é a Dialética por focar em controle de comportamento e aquisição de habilidades sociais, ela tem muita popularidade entre os pacientes borderlines e muitos casos de sucesso. 

A importância da educação

Às vezes uma pessoa age com preconceito por ignorância e não por maldade, por isso acho que é importante divulgar informações realmente verdadeiras e dignas sobre o transtorno da personalidade borderline para que as pessoas saibam do que se trata. Eu possuo o diagnóstico há alguns anos, mas me recordo de sofrer com o transtorno desde sempre. Existe explicação para cada sintoma, existe motivo para comportamento destrutivo e desadaptativo. A ciência está e sempre estará aí para estudar e nos ajudar. Minha missão esse mês é explicar melhor o que a neurociência e a psiquiatria descobriram até agora, mas acima de tudo, mostrar que uma pessoa com transtorno mental é isso: uma pessoa buscando ser feliz, igual a qualquer ser humano. 



Um comentário:

  1. Olá, Michele.
    Recentemente comecei a ler seu blog, e eu me identifiquei muito com algumas situações suas.
    Já perdi muito na minha vida, e eu só tenho 21 anos.
    Acredito que eu tenha perdido tanto por não saber administrar minha mente e o que eu sinto.

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