quarta-feira, 1 de junho de 2016

Carta para Borderline #4



Leia as cartas anteriores #1, #2 e #3

Border, aonde vamos parar? 

Estou escrevendo para te confessar algo que está me assombrando agora. Você sabe bem que passamos por todos esses altos e baixos e, de fato, ultimamente eu até tenho períodos de estabilidade. Momentos tão preciosos em que existe uma medida equilibrada entre a razão e a emoção e eu, boba como sempre, acredito que você não pode me alcançar. Dias de glória em que estou no controle de mim mesma, dias em que sei o que falo, o que faço e o que penso. As pessoas me olham como se eu fosse alguém individual, sem a sua sombra me acompanhando, mas basta um momento comigo mesma e eu consigo ouvir sua risada irônica nos corredores da minha mente. 

Nesse tempo eu aproveito para sorrir, brincar, sentir o calor do sol, ouvir as risadas das pessoas que amo, observar os detalhes que geralmente deixo passar, mas você não consegue me ver feliz por muito tempo. Quase consigo ver você sentado, contando os minutos no relógio para o momento em que irá entrar em cena, espreitando como a sombra da morte. Agora estou aqui, sentindo o impacto do vazio, da tristeza, me engolindo segundo a segundo, trazendo a tona todas as memórias e sensações que deveriam ficar na escuridão. 

A dor se espalha e engatilha lágrimas. Eu sufoco os gritos. Eu queria poder alcançar sua figura agora. Você trouxe o caos para onde havia ordem em questão de minutos. Mas não é assim tudo? De repente, quando menos esperamos, a vida muda de direção e temos de mudar nossos planos. No fim, tudo é questão de aprender a lidar com esses imprevistos. Eu ainda estou aprendendo e você não vai facilitar, eu sei disso. 

Eu me sinto impotente, fraca, oprimida, um brinquedo em suas mãos frias e perigosas, mas, apesar de eu estar vulnerável, eu ainda assim vou continuar lutando. Todas essas lágrimas que insistem em cair, toda essa confusão que você parece gostar de provocar em minha mente e toda essa bagunça de emoções que sinto agora não irão me impedir de lutar pela minha vida. Uma vida em que você não tenha mais nenhum poder sobre mim.

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