domingo, 5 de junho de 2016

Enquanto a chuva cai


Eu sempre gostei do barulho da chuva mas nunca entendia o porquê. Dessa vez resolvi fazer diferente. Em alguns segundos de introspecção, consegui perceber que me sinto, na verdade, confortável. O barulho da chuva abafa todo o ruído da vida acontecendo, automaticamente, diariamente, ao meu redor e também quebra de uma vez o silêncio cortante que às vezes invade meus dias solitários ou minha mente abandonada. O barulho da chuva é uma solução temporária e terapêutica para minha dor.

Tem dias que sinto tudo, tem dias que sinto alguma coisa, tem dias que me sinto comum, mas tem dias que sinto o vazio. Observar a chuva cair, lá fora me distrai. Eu fecho meus olhos e ouço os pingos tocando o solo. Pingos suaves, pingos fortes. De repente, uma pancada de chuva. Abafando qualquer outro som da vida comum. Pessoas falando, rindo, brigando, fazendo o que têm de fazer todos os dias sem ao menos se perguntar o porquê, todos esses sons somem por alguns momentos. Minha mente não precisa mais pensar. Eu posso ser eu mesma e me permitir emocionar - ao menos um pouco.

Quando a chuva acaba, todos os sons voltam. Carros, animais, vozes. A vida volta a aparecer como se me dissesse "ei, você não pode fugir de mim". E eu sei que não posso. De qualquer forma me sinto melhor por ter conseguido parar por uns instantes para respirar e dar um alívio para minha mente atribulada.


2 comentários:

  1. Olá Michelle, depois de alguns meses voltei a ler o seu blog.

    Vivi coisas bacanas durante esse tempo, deixei esse meu lado mais obscuro de lado, mas é como você disse, não há para onde ir, a vida nos chama.

    Desse vez eu sinto que estou pior, me decepcionei muito nesses últimos dias, finalmente acho que tenho depressão, antigamente achava que era só uma crise existencial de quase 2 anos.

    Acordar é pior coisa que pode acontecer no meu dia, ir para faculdade é como um processo de tortura... enfim, nesse caos sigo perdido, aprendi que se jogar de cabeça pode ser mais perigoso do que se fechar.

    Hoje estava no metro, na janela mais precisamente, ver a chuva caindo e alguns pingos descendo pela janela foi a melhor parte do meu dia. O céu nublado refletia o meu mundo cinzento e sem graça.

    Abraços.

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    1. Oi! Eu também tive resistência para aceitar meu transtorno de personalidade, eu achava que não teria solução se aceitasse que era algo tão grave... Mas hoje, com o tratamento certo, percebi que minha mente, por causa da doença, tende a ser muito catastrófica e tenho ferramentas para me autocontrolar... Mas tenho meus dias de crise...e como você, também fico olhando pela janela do metrô, e parece que o céu cinzento reflete meu humor vazio. O importante é persistir no tratamento, é ele que nos dá a resistência! =) Abraços.

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