quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Um filósofo e o medo de julgamento



Eu me sinto deprimida, deslocada, e com muita raiva. Estou cada dia mais chegando a conclusão que o melhor lugar é mesmo no isolamento. Não sei o que fazer em relação as expectativas das outras pessoas e das regras sociais implícitas e explicitas, enfim, tenho dificuldades imensas com o jogo da vida.

Eu conheço (e que sorte!) um filósofo, e converso com ele, ao menos uma vez por semana. Ele é um homem muito sábio, mas tem uma personalidade única, eu diria até um tanto peculiar. Eu gosto dele justamente por ele ser diferente, por ser um enigma e, claro, pelo tanto que eu aprendo com ele. É um momento muito livre e eu consigo respirar aliviada. Por ele privilegiar o pensamento, eu me sinto mais a vontade para ser quem eu sou, seja lá o que isso signifique. Eu não tenho medo de dizer que gosto de algo que não seja socialmente tão amplamente aceito ou que sinto vontade de algo que seria considerado "estanho" , em contrapartida ele parece muito a vontade em si mesmo, não se importando com coisas pequenas que outras pessoas se importariam.

Ouve uma ocasião em que, nos encontramos tarde da noite, e ele estava com aspecto cansado após uma longa jornada de trabalho, e, talvez sem perceber, tirou os sapatos, quebrando o protocolo da "etiqueta social entre duas pessoas que não são tão íntimas", enfim, sentia-se a vontade, mesmo que a situação, para qualquer outra pessoa, pudesse parecer um pouco "estranha" ou ultrapassasse algum limite. Onde quero chegar? Eu sempre me vejo cercada de etiquetas e pequenas regras implícitas ou explicitas que eu "devo" seguir ou senão serei julgada pelas outras pessoas - em alguns casos, severamente. Não entendo até onde isso está certo. Duas pessoas diferentes podem conviver e aceitar uma a outra sem precisar mutilar seu auto respeito e sua individualidade, não podem? Pelo menos, é assim que me sinto não apenas ao lado dele, mas ao lado de alguns amigos, do meu marido e de desconhecidos que conversei por alguns minutos na rua. A sensação de poder ser eu mesma (seja lá o que isso signifique), sem ter medo de ser julgada ou mutilada pelo outro é algo muito libertador. Nesse momento é que ocorrem as melhores experiências de vida. Podemos aprender não apenas sobre o outro, mas sobre nós mesmos. Eu aprendo muito sobre quem eu realmente sou todas as vezes que as pessoas simplesmente são elas mesmas, sem tantos filtros e regras. A conversa parece fluir e ninguém sai se sentindo mal ou culpado no final só por ser quem é, ou seja, uma conversa libertadora. Eu prefiro e tento dar liberdade do outro ser quem ele é, mesmo que ás vezes, isso seja contrário as minhas crenças e valores, ou que me irrite (e mesmo que me cause crises depois).

Talvez eu apenas esteja cheia, saindo do estado do vazio, caminhando para uma crise, tentando, desesperadamente não perder o controle, mas, de qualquer forma, me sinto cada vez mais sufocada por ter de me policiar a cada dois segundos sobre o que devo falar, escrever ou até mesmo pensar quando estou em meio a outras pessoas. Isso não é nenhum pouco autêntico e foge muito da palavra "liberdade", quer dizer, você poder ser livre desde que siga algumas regrinhas aqui e todo mundo parece que resolveu ditar regras de como você deve pensar ou agir. Não sei. Talvez eu esteja confusa, afundando em medo e vontade de fugir. Talvez, muitos talvez. Eu apenas sei que, nesse momento, tudo o que eu quero é estar só, porque fico com medo de magoar, irritar, provocar qualquer sentimento ruim nas outras pessoas, sendo que, geralmente não é essa a minha intenção.

5 comentários:

  1. ora aqui está um texto para nos fazer refletir! Muito bom!

    Bjxxx
    Ontem é só Memória | Facebook | Instagram

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  2. Aaah! Eu sempre odiei certas etiquetas regidas por ricos metidos a besta. Eu prefiro ser eu mesma, falo coisas q pra mim é algo natural, e as pessoas olham pra mim, tipo, não acredito q ela disse isso, mas no fim todo mundo dá risada, no meu círculo de amigos. Eu não to nem azul de colocar os colovelos na mesa do restaurante, falar de boca cheia, com a mão na frente claro...é tão mais libertador viver de forma simples! E eu sempre inicio um conversa com um desconhecido como se o conhecesse há anos...e tem tanta gente precisando ser ouvida, de um apoio, incentivo.

    Dia 20 os jovens da minha igreja vão ao shopping pegar um cineminha....e eu com essas dores escruciantes nas costas e quadril. Se minha cabeça estiver melhor até lá, pretendo alugar um daqueles bichinhos motorizados.... e pedir pra filmar a reação do povo, e postar no youtube. Eu sou feliz por ser cara de pau e sair fora da caixinha q o mundo impõe pra tornar tudo chato.

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    1. É muito bom sentir-se bem consigo mesmo a ponto de poder fazer o que tem vontade, sem amarras... Eu acho muito legal quando vejo as pessoas sendo autênticas, fico muito feliz por elas. Confesso que eu tenha extrema dificuldade, talvez por não acreditar em mim. Obrigada pelo comentário =)

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    2. Sabe, já fui muito presa ao q os outros pensavam de mim, ou com o q eu achava q pensavam de mim. Até que entendi q o q importa é se importar com o q Deus pensa de vc, Ele sabe q vc é pó e ainda assim te ama!
      Engraçado q qnd parei de me importar com o q pensam de mim, ficar insegura se me aceitariam... foi então q acabei fazendo amizades. Eu ser um livro aberto sem medo de expôr o feio e o ruim fe mim, as pessoas começaram a se sentir livres para serem verdadeiras comigo. Outros acharam ótimo pra me julgar. E claro q tem coisa q não dá pra abrir com qlqr um, pois nem todos entendem. Mas quem me julga é quem nunca tirou um tempo pra me conhecer, e quem me conhece de verdade sabe q soy falha mas me ama mesmo assim. E é isso q vale! Agradar a todos querida, nem Jesus agradou, mesmo sendo perfeito, capiche?
      Comece parando de ter preconceito contra si mesma!
      O pouco q te conheço, vejo q é guerreira e mto amável! Continue assim!

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  3. Todo o dia a ser policia de mim propria....ninguem entende...ninguem mesmo

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