terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Carta (diferente) para borderline #7



Borderline,

Há muito tempo eu não te via ou ouvia. Eu apenas sentia sua presença uma vez ou outra: algum medo, angustia, vazio, tédio, impulsividade, depressão, enfim, todo sentimento e ação ligados a você. Eu senti muito pouco, menos intenso, suave. De repente, você quis uma trégua, você declarou paz. 

Eu não percebi, mas, a maior parte do tempo eu, naturalmente sentia felicidade, vivia o momento, apreciava o bom e o ruim, sabia ser resiliente e conseguia chorar (sem exageros) minhas perdas. Senti você por perto, mas só de observador. 

Eu sinto que entramos em uma espécie de acordo. E o que você ganha é poder ser materializado (e talvez eternizado) através da minha arte, da minha criatividade. Eu não sabia que poderia canalizar você em personagens de historias. Mas posso, e você aceitou e sou grata por isso, pois escrever é o que acho que sei fazer.

De repente, eu sofri um duro golpe. Você estava presente, mas, para minha surpresa não reagiu. Eu sinto um pouco mais da sua presença agora, mas nada tão grande quanto antes. Agora você até me acolhe (distante, claro), enquanto eu recolho os pedaços do meu coração. Você não quer mais me machucar. Não quer me enlouquecer. Claro que estamos longe de um relacionamento perfeito... Você ainda gosta de me isolar, me levando a comportamentos que afastam as pessoas que amo, mas eu te entendo, é difícil lidar com tanta dor daí de dentro. 

Um comentário:

  1. Linda citação! Que bom que sua borderline aceitou trégua.... Tenho borderline como acompanhante também, e sou grande admirador a do seu trabalho Michele

    ResponderExcluir

Sinta-se a vontade para comentar, apenas não seja grosseiro.
Se quiser me escrever, envie e-mail para blogenlouqueser@gmail.com , mensagens hostis/sem propósito não serão respondidas.

Pesquisar este blog