quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Descobrindo a resiliência


Tradução:

Não importa qual tipo de tratamento estiver fazendo, a cura do transtorno borderline envolve o cultivo das seguintes qualidades para TODOS os envolvidos:
Estar aberto: uma disposição para experimentar os sintomas sem se fechar ou entrar na defensiva desnecessariamente. 
Validação: reconhecer o que cada pessoa está dizendo e ouvir, mesmo se você discordar.
Pausar e imaginar o que os outros estão sentindo: a pausa nos permite responder antes de reagir.
Mindfulness: desenvolver consciência do corpo, sentimentos, pensamentos, reações e o ambiente ao redor.
Paciência: permitir a si e a outros que nem sempre as coisas estão ao nosso controle. 
Não julgar: não impor nosso ponto de vista, focar nos fatos.
Dar o benefício da dúvida: não pular para conclusões precipitadas sobre o comportamento de outras pessoas. 
Curiosidade: perguntar "o que está acontecendo?" em vez de fazer presunções e julgamentos.
Esperança: acreditar que a recuperação é possível!  

Eu senti vontade de compartilhar porque isso faz muito parte do meu dia a dia desde o começo do meu tratamento e, de fato, mudou muito a minha vida como um todo. Eu acreditava que uma pílula resolveria todos meus problemas e achava que, um dia, a ciência descobriria uma fórmula mágica para sumir com a dor. Mas um dia eu descobri que a coisa toda é muito mais complexa. Cérebro, consciência, mente. Tudo é complexo. E quanto mais você estuda, mais perguntas você tem e, de fato, de real, ninguém tem uma resposta. As pessoas tem muitas "certezas", mas a real é que ninguém tem a verdade. Então, eu percebi que essa coisa que eles chamam de borderline não me controlava e sim, eu poderia controlar a mim mesma, eu só precisava descobrir como, e precisava de ajuda. Foi aí que eu conheci as terapias mais modernas através do meu último psiquiatra. Esse quadro aí em cima dá uma ideia do que eu aprendi com ele e remédio nenhum poderia me dar isso. Nenhum. Eu posso dizer, com toda propriedade, que vale cada lágrima, cada surto, cada crise de raiva, cada erro que ele comete... tudo vale a pena, porque eu jamais deixei de aprender alguma coisa, porque eu, hoje, comando minha história, e eu tenho muito orgulho de ter chegado até aqui. 

Quando eu desconhecia o borderline, eu tinha medo, e o que a gente teme, nos controla. É o que testemunhei. Então, eu estudei. Eu li muito. Eu lutei. Eu quis saber cada detalhe recente sobre o borderline. Eu quis entender como ele funciona, mas principalmente o que eu poderia fazer para melhorar. E eu fiz, mesmo com dor, machucada, querendo morrer, eu fiz. Eu levantava. Todas as vezes que eu abria os olhos e via a luz do sol, eu sabia que tinha uma nova chance. E ainda assim é hoje. Hoje eu não desejo mais morrer, eu não sinto toda aquela raiva, eu consigo amar mais, mas ainda tenho minhas dificuldades. Mas todos esse valores aí em cima me dão impulso para seguir e eu não sei dizer se foi algo que eu escolhi, parece algo que emergiu de algum lugar da minha consciência. Algo difícil de explicar, transcendental, eu diria. 

Antigamente, quando uma pessoa errava comigo, eu simplesmente parava de falar com ela. Eu me isolava. Sentia tanta dor que não conseguia mais conversar. Hoje não. Eu enfrento, eu discuto, mas acima de tudo, eu desejo ouvi-la, eu desejo saber o que está acontecendo, eu dou o benefício da dúvida quantas vezes eu achar necessário e principalmente eu sempre tento não julgar, porque eu me lembro de todas as vezes que fizeram isso comigo. Quantas vezes duvidaram de mim ou simplesmente não me validaram. Sei o quanto isso machuca. Por isso eu acredito em segundas, terceiras e quinquagésimas chances... porque me deram isso. Ainda existem pessoas assim e sempre existirão. E por isso que eu acredito nesses valores acima. Quanto mais eu tento praticá-los, melhor eu me sinto, menos sintomas eu tenho, mais amor flui. Eu jamais imaginei que, um dia, eu me sentiria assim, mas aqui estou. Agora eu sei o significado de resiliência.

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