quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Pensando na morte




Eu nunca pensei que a morte fosse me assustar um dia, mas agora ela me assusta. Eu considero isso um forte indício de melhora, pois além de eu não pensar mais em morte, eu sinto medo. Instinto de sobrevivência, autopreservação. Chame do que quiser. Eu lutei muito para restabelecer essa vontade de viver, mas junto com a sensação de estar vivo vem o medo da inevitável morte. Um dia vai acontecer. Pode ser hoje, amanhã ou daqui há 50 anos, eu não sei, ninguém sabe. Eu apenas comecei a torcer para que demore bastante.

Eu comecei a viver o momento, cada segundo e cada minuto. Cada dia é tão precioso agora. Acontecem coisas boas e ruins em todos os dias, mas eu tento focar em continuar respirando, pois essa é a coisa que mais me importa agora. Eu amo as pessoas que fazem parte da minha vida, amo os desafios e amo aprender. Mesmo não compreendo qual o sentido (ou se tem sentido) da vida, agora existe um desejo sincero e profundo de vivê-la.

É uma grande ironia uma pessoa como eu sentir medo de morrer agora. Acho que é o medo do desconhecido, de não existir, de desaparecer, pois isso significaria que todo esse esforço que eu fiz teria sido em vão. Todo amor dentro de mim, em vão. Desaparecido. Sem razão. Isso me parece até um pouco cruel (tá, eu sei que eu não vou ligar porque eu vou estar morta, inconsciente, etc etc etc)... A verdade é que nem eu, nem ninguém tem a certeza de nada. E a morte pode ser apenas um processo de transformação. Uma mudança de estado. Nem precisa de religião para pensar nisso. Mas fica a dúvida. Pode ser mesmo o fim e tudo ser em vão. De fato, triste e cruel..

Eu sei que não adianta me preocupar ou ficar ansiosa sobre isso. Não há como impedir ou retardar. Quando for a hora, será a hora. Mas não consigo deixar de lamentar que passei boa parte da minha vida sem esse apego pela vida por causa do transtorno e me fez falta. É como nascer outra vez. 

De fato, é estranho. O medo me deixa mais presente, mais viva, com real vontade de viver, como se fosse o verdadeiro combustível para uma vida plena. O medo da morte, do desconhecido, do que eu ainda não sei e talvez nunca saiba. Da eterna dúvida. Eu não sei se é muita vantagem ser um ser autoconsciente e sensível, mas infelizmente ou felizmente é o que somos e estamos aqui de alguma forma. Alguns tem certeza da aleatoriedade, outros tem certeza da não-aleatoriedade e outros, como eu, sabem que não sabem de nada. É tudo muito incerto para se ter certeza absoluta de algo que não se pode provar ou não provar. 

Nossa natureza é curiosa, instintiva, racional, sensível, nós somos uma mistura de várias coisas ao mesmo tempo, e, no fundo, estamos perdidos em um universo que parece não se importar com a nossa existência. Eu digo parece porque eu realmente não sei. Eu só tenho perguntas, e quase nenhuma resposta. A ciência me responde muitas, a psicologia algumas, a filosofia outras e a minha consciência uma ou outra. Certeza, muito pouca. 

Será que o sentido da vida é não ter sentido? Mas então porque procuramos sentido? Qual é o sentido de procurar sentido? Perguntas que eu não sei de onde vem. Ninguém realmente sabe. Alguns dizem que não importa. Outros dizem que importa. A quem importa, eu digo, existe até uma Universidade (fica curioso aí porque eu não vou dizer, não estou a fim dos céticos-chatos) que estuda justamente o sentido da vida: porque o procuramos e se existe algum, se há alguma evidência, qual seria ele, qual seria o ideal. Padrões. Buscas. É o que fazemos. Procuramos respostas para perguntas mais absurdas.

Eu senti o medo paralisante de ter toda a minha história, informações, sentimentos, enfim, toda a minha combinação única encerrada no meu cérebro, destinada a acabar assim que meus neurônios pararem de funcionar. Será? Será que somos apenas um liga/desliga. Eu não sou do tipo que vê as coisas pelo lado religioso então... vai ser meio difícil acreditar em deus, algo assim, mas eu leio muitas coisas e tive minhas experiências. De qualquer forma, parece que todos saberemos um dia. Mais cedo ou mais tarde...

9 comentários:

  1. Oi,
    Sei bem como é passar de um sentimento de não querer estar mais aqui ao sentimento de querer tanto viver a ponto de ter medo de morrer.
    Também considero isso uma melhora, desde que o medo não ultrapasse o limite do saudável.
    De minha parte, a certeza que tenho é a de que não fomos criados para morrer, pois temos a eternidade no coração (como digo no meu blog: http://whatevergoahead.blogspot.com/), daí nossa dificuldade em lidar com/aceitar a morte.
    Muito legal seu blog. Abraço.

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    1. Mari, eu adorei o seu blog! Muito obrigada por comentar! Beijos

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  2. O sentido da vida é dar sentido a ela. Norte, Sul, Leste, Oeste. Fora, dentro. De fato, nessa imensidão, somos apenas um "nada" consciente, recheados de razões e sentimentos intensos, e essa é a beleza da vida.
    Ame viver, mesmo que nem todos os dias sejam vividos. Sinta-se livre, respeitando sempre a natureza, assim como fazem os bichos, os seres mais sábios que existem.
    Ame! Sorria! Afaste de ti o que não te faz bem. Você é bem maior do que acredita e isso não precisa ser provado a ninguém.
    Beijos e sabedoria de sobra <3

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    1. Nathalia, muito lindo seu comentário, obrigada! =)

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  3. Olá!
    Eu acredito que perto do mundo todo, somos apenas seres insignificantes, como pequenos grãos de areia no universo, mas por que nos apegamos tanto à vida e à morte?
    Eu sempre me perguntei qual era o sentido da vida e nunca achava uma resposta. Era como se a vida não tivesse sabor, cor ou cheiro, uma vida em preto e branco sem rumo. Então se eu fosse morrer hoje ou amanhã não importava. Era o que eu pensava.
    Luto contra a depressão todos os dias desde os meus 13 anos e sempre pensei no sentido da vida, até hoje penso, tentando descobrir o motivo de existir...
    Eu tenho altos e baixos na minha depressão, mas eu venho tentando me manter firme nos últimos dois anos e venho conseguido.
    Há pouco tempo perdi um ente querido da minha família e isso me abalou muito, desde então eu voltei a pensar na morte. Como seria morrer? Se morrer será o fim? Será que tudo que fizemos durante a vida perde o sentido quando morremos? Me perguntei e ainda me pergunto.
    Eu entendo sobre esse apego que você começou a ter em relação à vida e esse medo de morrer. Eu também não sei se iremos para algum lugar após a morte ou se há algo maior por trás disso.
    Depois que meu familiar morreu eu pensei muito e cheguei à conclusão de que a vida é muito curta. Eu tenho meus objetivos que quero cumprir antes de morrer, quero muito. E se não tiver tempo? E se tudo acabar antes da hora? Eu comecei a ficar com medo e dei um primeiro passo para alcançar um objetivo que venho mantendo há 6 anos, mas que nunca havia tentado conquistar, não sei se dará certo, mas já é um começo para uma nova vida. Uma vida com cor e sabor, assim espero.
    Primeiramente, desculpe o textão, acho que deve ter ficado longo.
    Como uma forma de terapia eu comecei a escrever as histórias que eu vivi por conta da depressão, crises, etc.
    Acabei encontrando seu blog quando pesquisei algumas referências para poder criar o meu próprio e gostei muito de ler suas histórias.
    Desculpe me manter anônima, ainda não estou pronta para que meus amigos saibam como me sinto, então resolvi usar o nome do blog para comentar. Provavelmente comentarei em mais posts para desabafar um pouco como e sinto, espero que tudo bem sobre isso.
    Assim como você, estou em busca de respostas para minhas próprias perguntas absurdas.
    Eu gostaria que você lesse a minha história, estou apenas começando, mas decidi me abrir de certo modo para poder seguir em frente e ter uma nova vida. http://loucurasdadepressao.blogspot.com/
    Seu post me fez pensar em algumas coisas sobre a morte e, mesmo se formos só um liga/desliga, eu quero viver intensamente e poder sorrir sinceramente.
    Eu acho que o objetivo da vida é essa eterna busca por felicidade e a felicidade é tão preciosa e tão estimada, porque um dia a vida acaba, então acho que temos que aproveitar o tempo que temos para desfrutá-la ao máximo, para morrer sem arrependimentos.
    Obrigada por ler até aqui!
    Sei que ficou meio longo...
    Mas você me ajudou de certo modo nessa fase difícil que estou passando na minha vida.
    Te desejo toda a felicidade do mundo!

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    1. É por isso que amo quando vocês comentam! Esse compartilhamento me faz pensar! Adorei seu comentário e seu blog! Beijos

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  4. Oi, é eu meio que cai de paraquedas no seu blog essa noite. Esse post me deu mais um dia. Perdi meu irmão esse ano (2017) e com isso caiu a ficha de que nada é eterno e de que as coisas um dia vão acontecer, mais cedo ou mais tarde. Sentir o choque de realidade na pele me assustou de tal forma que não sei como superar. Sinto uma necessidade imensa de voltar a ser feliz, mesmo que isso signifique não processar a vida e apenas seguir em frente, evitando perguntas sem respostas. No momento essas perguntas estão me soterrando, as pessoas não entendem isso muito bem. Mas enfim, fico feliz de achar seu blog, é bom saber que não sou a única enlouquecendo.

    Talvez vc já tenha um post respondendo a minha pergunta.
    Mas com vc faz todos os dias para se convencer de que por mais que as coisas cheguem ao fim ainda vale a pena viver e lutar para que as coisas deem certo?

    Desde já espero encontre tudo o que procura e que de tudo certo nna sua vida...

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    1. Olá! Sinto muito pelo seu irmão, é uma perda irreparável! Eu compreendo a sua dor e seus questionamentos agora... Eu fiquei assim por muitos anos. Ainda acho a morte algo muito misterioso e difícil de lidar, e tento aceitar dentro de mim a ideia de isso ser um processo natural da vida, apesar de não compreender o porquê.
      Eu me perguntei muitas vezes porque eu deveria lutar pelas coisas que eu acreditava se um dia tudo chega ao fim... Durante a terapia, descobri meu proposito, e é isso que me faz levantar todos os dias, eu meio que sinto que devo isso as pessoas que se foram da minha vida, uma espécie de homenagem que faço a elas. Continuar lutando pelo que acredito é a forma que encontrei de me sentir mais próxima do meu falecido avô, por exemplo. Ele não teve a mesma chance que eu, infelizmente... Eu sinto que é também por ele que continuo vivendo
      Pode parecer meio mistico, mas encontro um pouco de paz assim.
      Abraços e te desejo o melhor!

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  5. Obrigada por me responder, de vdd. Você mais do que ninguém deve saber como é difícil encontrar alguém para conversar, que esteja realmente aberta a nós ouvir.

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