segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Visitando o passado

Trecho da postagem de 02/01/2015: Vou começar 2015 reafirmando a frase que mentalizei quando percebi que não havia morrido: de que eu lutaria por mim, mesmo se ficasse sozinha, até minhas últimas forças. Porque sim, eu mereço uma vida melhor e sim, eu sei que eu posso. Todos podemos. 

Trecho da postagem de 04/01/2016O fato é que se eu pudesse escolher, estaria sozinha, isolada em uma ilha só para não causar mais nenhum dano a ninguém. Pode me chamar de dramática agora, mas é isso que sinto. 

No começo do ano de 2015, eu havia acabado de desistir de mais um psiquiatra porque ele não era especializado em transtorno da personalidade borderline, não queria aprender, não se esforçava e não conseguimos estabelecer nenhum tipo de vínculo terapêutico. Não me entendam mal, ele é um ótimo psiquiatra e psicanalista, mas não para o meu transtorno. Eu o indicaria, sem medo, para alguém com depressão (e que goste de psicanálise, claro). Talvez o erro mais grave que ele tenha cometido - por causa da falta de confiança entre nós - foi ter mantido os medicamentos que obviamente não estavam ajudando em nada, aliás, eles me deixavam pior. O rivotril causava picos de comportamentos impulsivos e depressão, e o antidepressivo me causa muito mais crises de dissociação, mas, como eu ainda não lia muito sobre isso, eu não sabia das correlações, e nem ele, por não ser especialista e nem se quer ter perguntando a um colega dele. 

Eu lembro bem da sensação de desamparo e desespero que eu sentia. Eu não conseguia parar de pensar em morrer. Eu vivia entre automutilações, impulsos e crises onde eu dissociava. Muitas das minhas memórias foram prejudicadas por causa disso. Era para ter sido um momento muito bonito da minha vida, afinal, eu estava morando junto com meu marido, em um apartamento legal, com meus gatos, a vida parecia boa, finalmente, mas infelizmente, tudo saiu do controle. Eu me senti profundamente desamparada porque meu médico não conseguia me ajudar, então eu acreditava que não havia solução para o meu caso e eu acabaria perdendo tudo e todos a minha volta. Mas... eu sou bem teimosa. Esse trecho de 2015 deixa bem claro. Depois de uma tentativa frustrada de suicídio, eu decidi, de uma vez por todas, que lutaria por mim. Com todas as minhas forças. E eu estou cumprindo. 

Em janeiro do ano passado, por conta de uma situação familiar (que ainda persiste), eu estava na fase depressiva, porém algumas coisas já haviam mudado. Eu me sentia mais forte, apesar de ainda pensar que a morte ou o isolamento seriam soluções mais viáveis. Primeiro, eu comecei a tomar os remédios corretos e isso faz toda a diferença. O topiramato me dá a possibilidade de regular as minhas emoções, ele não me tira nada, apenas possibilita que eu tenha controle sobre elas. E a quetiapina, apesar de eu ter minhas dúvidas, o psiquiatra diz que reduz a agressividade e as chances de eu ter uma crise de dissociação.  De fato, conforme o tempo passa, as crises diminuem. Eu me sinto mais leve e com maior liberdade em relação as minhas emoções. Elas não me controlam tanto quanto antes. Aliado a isso tem a terapia, que não é apenas sentar e falar, mas também existem exercícios (que, ao meu ver, são bem chatos, mas necessários) e uma troca de experiências com o terapeuta, o que possibilitou a tão sonhada confiança médico-paciente. Isso me deixou mais forte. Eu posso ter em quem confiar. E mesmo que ele erre (e ele erra um pouco, rs), o fato de ter uma confiança dos dois lados, faz com que o relacionamento seja verdadeiro, algo muito mais importante do que simplesmente um contrato, algo que, para uma pessoa com o meu problema é mais valorizado do que a própria terapia. 

Eu sei que eu ainda tenho muito a melhorar, mas agora que eu tive a chance de visitar o passado, graças as postagens desse blog, eu pude comprovar o quanto eu já conquistei, o quanto eu persisti e o quanto eu sofri também. Eu quis desistir incontáveis vezes, por centenas de motivos diferentes. Cada motivo foi legítimo, e eu não invalido nada do que eu sofri, porque eu aprendi muito com minha história. Eu estou aprendendo a ser alguém mais forte, mais amável, mais leve, mais livre, mais divertida, que julga menos e que exige menos. Eu estou aprendendo a ser mais humana. Eu jamais sequer imaginei que alcançaria metade do que estou sentindo agora. Eu só posso agradecer a mim, as pessoas que continuaram ao meu lado e, claro, aos meus terapeutas por serem tão pacientes. 

"...que eu lutaria por mim, mesmo se ficasse sozinha, até minhas últimas forças. Porque sim, eu mereço uma vida melhor e sim, eu sei que eu posso. Todos podemos."

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