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terça-feira, 4 de abril de 2017

Se você falhar....


Uma das primeiras coisas que eu faço quando acordo é checar a frase de positividade do aplicativo que utilizado para esse fim. Na maioria das vezes ajuda a lembrar a me manter no aqui e agora e com o pensamento um pouquinho mais animador, mas, nem sempre funciona, pois as frases, muitas vezes me trazem a sensação de raiva, tristeza ou abandono. Hoje a frase foi "não se puna se você falhar". A questão não é nem se você falhar, mas quando. Inevitavelmente, falhamos. Até onde me consta somos todos humanos (exceto os robôs) e estamos todos sujeitos a dor, sofrimento, a morte, e a cometer erros. Convivendo muitos anos com um transtorno de personalidade como o meu, eu desenvolvi profunda desconexão comigo mesma, portanto tudo o que consegui sentir em relação a mim foi o que aprendi observando a reação das pessoas, de uma família disfuncional, ambiente abusivo e de uma mente distorcida. Eu sempre senti ódio, desgosto, desprezo por mim. Isso, infelizmente, ainda não mudou muito. Mas eu aprendi algo muito valioso chamado compaixão. 

Como eu disse na postagem anterior, a compaixão tem sido algo essencial na minha vida, ultimamente. É muito fácil desenvolvê-la pelas outras pessoas, mas quando se trata de mim mesma, eu considero quase impossível, pois o meu "eu" parece difícil de ser alcançado. Quando li a frase "não se puna se você falhar", eu me lembrei de todas as vezes que eu falhei, e fui punida quando criança. Severamente punida. A punição não era proporcional a falha, mas lá estava eu, sendo punida por algo que não era necessário. Por causa disso, eu aprendi, por associação, que isso era o "certo", pequenos erros, grandes erros, médios erros, isso não fazia diferença, todos deveriam ter a mesma punição exagerada. Até que a compaixão começou a definitivamente fazer parte do meu dia a dia. Parecia natural - e confortável - para mim, não ser punida por nenhum erro, mas sim, tomar a responsabilidade. São coisas bem diferentes. 

Quando eu era punida, eu só conseguia entender que eu era uma pessoa ruim e fazia tudo errado. Quando eu tomo a responsabilidade, eu consigo enxergar que eu cometi um erro e se eu puder consertá-lo, eu faço, se não, eu peço desculpas, e tento outro caminho. Isso não quer dizer que sou uma pessoa ruim, apenas humana, pois todas as pessoas erram, todas as pessoas tem a chance de reparar seus erros, é apenas uma questão de querer se responsabilizar ou não, de ter a oportunidade ou não. A responsabilidade contém compaixão, a punição tem agressividade. Há quem acredite que punir de vez em quando traz alguma vantagem. Eu fui punida todas as vezes que cometi pequenos erros quando era uma criança, isso me trouxe traumas de verdade, e hoje não me faz uma pessoa melhor. Eu precisei de terapia de verdade para superar. Então, acredito que a responsabilidade é um caminho muito melhor, pois contém compaixão. E não é a compaixão o centro do discurso da maioria dos grandes líderes religiosos? Ou das pessoas que tem grande resiliência?!

Antes de aprender tudo o que sei sobre compaixão, por conta da educação que eu tive, que também não foi culpa da minha mãe, nem da mãe dela, é uma cultura que passa de geração para geração, eu chorava quando cometia erros muito, muito pequenos. Eu me isolava e me sentia a pior pessoa do mundo. Eu ficava no pólo escuro do borderline, acreditando que ninguém gostava de mim. Sentia vergonha, medo e muita culpa. Isso me causava ansiedade, pânico. Hoje é diferente. Eu não me puno não. Eu sei que vou falhar muitas vezes porque é da natureza humana errar, só que eu tenho a opção de poder me responsabilizar, pedir desculpas, consertar ou tomar outro caminho. Isso é bom, não é ruim. Isso ensina, faz crescer. E eu sempre gostei de aprender.


7 comentários:

  1. Oi Michele, faz tempo que não posta nada, já estava sentindo falta ;)
    Como você disse em seu texto, nossa cultura/religião nos leva a punir por atos falhos, porém deveria ser o oposto, pois é errando que se aprende através das experiências, senão coitado de Thomas Edison nunca teria inventado a lâmpada, teria desistido nas primeiras falhas e críticas. Continue escrevendo e compartilhando de seus conhecimentos e experiências. Beijos.

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  2. Adoro seus posts. Me ajudaram muito,você é uma pessoa única, diferente. Você que as outras não veem; que existe bondade, fraternidade, amor, humildade e solidariedade. Coisas que maioria não veem, mas você ver. Apenas quero dizer, que talvez, nem mesmo a mais bela obra de vicent chega ao estasses que passa com seus post.

    Adoro você. Sou seu fã. Meu professor se curou da depressão graças aos posts.. E cá entre nós,os médicos, psiquiatras, eles são objetivos, não estão próximos dos paciente e parecem mais querer transparecer medicamentos. Mas vc, sozinha consegue ser melhor que todos eles.Eles tratam doenças, você, trata pessoas.. Como um ponto iluminado no universo, que não faz parte do vaco, assim lhe defino e lhe desejo tudo bom, sucesso e que deus te abençoei

    Me passa seu e-mail ou zap zap para pudemos conversar mais a respeito.. Eu estava numa apresentação a depressão, e apresentei seu bllog para toda a turma e todos adoraram.

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    1. Olá!! Eu agradeço as palavras e fico muito emocionada com tudo o que você disse! É uma imensa felicidade saber que eu contribui de alguma forma, positivamente, na vida de alguém! Muito emocionada mesmo, até difícil me expressar em palavras! Gratidão!
      Eu tenho o email do blog, se quiser conversar: blogenlouqueser@gmail.com
      Abraços

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  3. Te compreendo.
    Vivo isso também!
    Ótimo texto!
    Aproveito para divulgar o blog que ajudo a escrever.

    http://aprendendocomovazio.blogspot.com.br/

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  4. oi galera, quero criar um grupo no whatsapp para que pessoas com borderline ou pessoas que convivem com um border troquem experiências, possam desabafar e além disso poderem se entender melhor, verem que não estão sozinhos nessa, um grupo de auto ajuda.
    a minha intenção é a melhor possível.
    por que infelizmente também tenho esse transtorno e gostaria de conversar com pessoas que também o tenham, alguém que me compreenda, que saiba a dor queé ser assim.
    vou estar passando meu whatsapp, para que entrem em contato caso queiram 995627099, caso queiram deixar o número de vocês estarei de olho aqui para pegar os números.
    se cuidem pequenas(os)

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  5. Entendo bem essa raiva ao qual você se refere, essa sensação de abandono. Tenho tentando conseguir ter auto compaixão por mim mesma, por mais difícil que seja. Forte abraço.

    pS: eu tenho depressão, meu blog caso queira manter contato http://eunodivaagora.blogspot.com.br

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  6. adorei o seu blog
    Vivo isso também!
    deixo o meu blog
    http://www.terapiasdamente.pt/blog/tratamento-depressao/

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