sábado, 6 de maio de 2017

Algumas palavras...


Quando um dos meus psiquiatras anteriores, o Dr. X., confirmou meu diagnóstico de transtorno de personalidade borderline eu entrei em estado de negação. Sim, eu já desconfiava, mas o estigma e o preconceito em cima dessa doença é tao grande que eu rezava para ser qualquer outra coisa, menos isso. Mas...os sintomas apareciam ano após ano, ficando cada vez pior, eu não podia mais negar o que estava a minha frente

Hoje algumas coisas mudaram. Eu troquei de psiquiatra 2x e talvez troque a terceira, eu fiz algumas terapias atuais, mas, infelizmente quando se trata de relacionamentos interpessoais, eu fracassei. Todo meu esforço foi pouco, insuficiente. Pouco a pouco, eu vejo a doença me levando outra vez ao isolamento...e eu não consigo mais lutar contra.

Eu voltei a morar com a minha mãe, eu continuo tendo problemas de insatisfação com meu trabalho, apesar de lidar muito melhor com ele agora do que antes, mas eu contínuo falhando em relação as pessoas. As vezes, no meu quarto, eu choro me perguntando porque esse transtorno aconteceu comigo, porque ele quer tirar tudo de mim e, geralmente, choro baixinho pedindo para ele ir embora, que eu preferia ter qualquer outra coisa do que ser alguém tão hostil para as pessoas que eu amo (mesmo não querendo, mesmo depois de todo o esforço que e fiz).

Talvez eu não tenha feito algo certo, e perdi algum detalhe, não ouvi algo que o terapeuta falou. Será que foi aquele dia? Será que estou resistente ao tratamento? Será que eu não tenho conserto?

E como se não bastasse, eu tenho transtorno do estresse pós traumático e dissociações frequentes. A sensação é de ser amaldiçoada. O que eu fiz? Será que mereço tudo isso? A única certeza que tenho é que nenhuma dessas pessoas deveriam estar feridas, sobrecarregadas e estressadas por minha causa. Eu carrego uma bomba dentro de mim, que explode toda vez que se sente ameaçada, por coisas, geralmente pequenas. Coisas que vejo pessoas sem o transtorno lidarem muito bem. As pessoas superam, seguem em frente, deixam para lá, meu borderline não, até quando eu decido mudar, decido agir conforme a normalidade a minha doença me lembra que ela é quem controla, não eu. Alias, eu tive a ilusão de ter algum controle nesse tempo, mas não. Aqui estou eu, em crise, com uma raiva que eu não consigo suportar, um vazio interminável e a maior culpa do mundo. Eu olho no espelho e falo para mim mesma: "olha no que essa doença me transformou... Eu sou o monstro agora".

Eu odeio cada palavra hostil que sai da minha boca, cada gesto violento, cada crise de choro e todas as coisas que, por causa do sintoma dissociativo, eu não sou capaz de lembrar. Eu odeio porque me sinto fora do controle, levadas por emoções que não deveriam estar tão exacerbadas. Eu não consigo ter compaixão comigo nesse estado. Eu fracassei com todas essas pessoas.

Eu sei que, no final, eu acabarei sozinha. É isso o que o borderline quer (quem sou eu? O que é a doença? Eu nao sei mais diferenciar... Eu perdi a identidade novamento). Porque é "mais seguro". Mas eu discordo. Seguro seria estar com as pessoas que eu amo, mas graças a esse transtorno, eu não sou mais digna. Eu sou apenas uma pessoa hostil, violenta, sensível demais e difícil de lidar.

Apenas lágrimas e muita dor podem resumir a postagem de hoje.

4 comentários:

  1. Michelle, boa noite. Espero que esteja melhor. Sempre melhor. e que a cada queda sua subida seja ainda mais rápida!
    Por favor, gostaria muito de te contatar por e-mail. Quero muito falar com você. Pode me passar seu contato, por favor?

    Obrigada! :)
    Bjs,
    Natália Helen

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    1. Oi, Natália! Obrigada por comentar! Estou melhorando aos poucos. =)
      O email é blogenlouqueser@gmail.com pode escrever que eu sempre leio tudo! Bjo

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  2. Oi, é eu não sei mesmo o que dizer, mas apesar de tudo sou uma pessoa desconhecida passando por uma situação difícil também, só queria dizer que estou aqui se quiser descontar em alguém, livre de julgamentos. Desculpa, só estou dizendo que preciso de você para me concertar aos poucos.Então para mim você é importante apesar de não te conhecer e espero que saiba que também estou aqui por você, te escutando.

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    1. Muito, muito obrigada por comentar! Eu que preciso de vocês para me manter forte e motivada! Cada palavra de apoio que recebo é muito gratificante! =)

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