Mente de Teflon


A primeira vez que eu li a expressão "Teflon Mind" (mente de Teflon) foi em um livro sobre terapia comportamental dialética. Na primeira vez, eu não dei muita atenção, pois eu tinha mais facilidade com as habilidades mais práticas do que com o mindfulness. A segunda vez que eu li foi no manual da terapia dialética da Dra. Marsha Lineham que, para quem não sabe é a criadora desse tipo de terapia e já foi diagnosticada com transtorno de personalidade borderline. Na segunda vez, eu estava mais focada porque eu tinha um "coaching", um treinador, alguém que poderia me orientar, meu psiquiatra. Ele parecia ser "o melhor", o mais sábio, mas, com o tempo, vi que muito do que eu pensava sobre ele era devido a idealização (por causa do borderline), quando me dei conta de que eu estava o colocando em um pedestal e desvalorizando as outras pessoas que também me ajudavam, eu dei um passo para trás e esperei meus famosos quatro meses - que eu conto em outra oportunidade. Após os quatro meses, eu voltei a ler sobre a mente de Teflon e desde então venho tentando praticar, porém ela nunca fez tanto sentido como agora. 

A nossa mente costuma funcionar como velcro. Por exemplo, você ouve uma música que não é o seu estilo, mas toca freneticamente nas rádios, em todos os lugares que você chega, o ritmo pega fácil, a letra é muito fácil de lembrar, então, quando você menos espera, bum!, ela "toca" na sua cabeça, parece que nunca mais irá tirá-la de sua mente, pois ela grudou. Sua mente é um velcro e a música "chiclete" grudou nele. Usando a técnica da mente de Teflon, a música entra na sua mente (por causa do ritmo, da letra simples, podem ter n motivos) porém você não precisa mantê-la dentro do seu pensamento, nem quando ela não foi convidada a tocar na sua mente, você simplesmente deixa a música passar, como nuvens no céu e, magicamente, voltará tudo ao normal. É claro que eu dei um exemplo simples, afinal essa técnica deve ser usada com emoções, pensamentos intrusivos, todos aqueles julgamentos, críticas e sentimentos ruins que você não chamou, mas insistem em ficar falando em sua mente, te colocando para baixo. 

Eu uso a técnica há quase dois anos, mas ela apenas fez sentido agora. Eu sofri um abalo de confiança em um relacionamento que eu prezo bastante. Talvez nós não devêssemos ser amigos, mas algo na vida nos leva a isso, é como um "velcro", e talvez haja uma recusa da pessoa em aceitar esse fato (porque é fato, ela querendo ou não!). Essa negação fez com que houvesse um atrito após o outro, e o resultado foi um rompimento de confiança que eu ainda não sei dizer se poderá ser restabelecido. Com a técnica da mente de Teflon, eu posso deixar a raiva excessiva, a tristeza, a confusão e a dor de perceber que, talvez, eu não signifique para essa pessoa o tanto quanto ela significa para mim, passar. Mas tudo bem. Deixar passar, como nuvens no céu, me deixa mais leve para perceber que a vida é um ciclo, mas que, apesar de tudo ter um final, eu posso fazer diferente dessa vez, em vez de me apegar a raiva e ao ressentimento, eu escolho deixá-los passar por mim. Meus sentimentos são legítimos, mas eu não preciso me apegar a eles. Isso é uma mente de Teflon. 

Para praticar a mente de Teflon, basta praticar mindfulness (caso você não saiba o que é, clique aqui). Parece simples, mas não é, ás vezes eu me sinto exausta e frustrada, mas o trabalho vale, pois eu sinto como se tivesse "restaurado" meu cérebro, consigo pensar com maior fluidez e clareza. E quanto maior a prática, melhor fica. Eu demorei para assimilar, mas parece que tudo tem uma hora certa para cada pessoa.


Comentários

  1. Conceito bem interessante! Acredito que lembra algo próximo da meditação, de saber desapegar dos pensamentos e manter fiel ao seu espírito. Às vezes, oscilamos o tempo inteiro emocionalmente conforme o contexto. É por isso que é muito mais fácil para um monge das montanhas manter equilíbrio do que uma pessoa nos meios urbanos. Lá, é ele com os pensamentos dele, menos interferências para se domar. Agora, quando vivemos na cidade, principalmente no ocidente, é caos o tempo inteiro. A gente sempre dá um jeito de recomeçar todos os dias.
    Beijos

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    1. Verdade, um monge nas montanhas não tem sequer metade dos desafios e exposição a quantidade de estressores ao qual estamos na cidade, por isso é mais difícil para nós assimilarmos esses conceitos, carregamos muito medo, raiva, etc (todos sentimentos justificáveis, claro), mas também somos muito resilientes e nos renovamos frequentemente! Obrigada por comentar aqui! Muito bom ter o seu apoio!

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