sexta-feira, 21 de julho de 2017

Brandon Marshall e o Borderline



Se você gosta de futebol americano, com certeza já ouviu  sobre a estrela na NFL, Brandon Marshall. Ele era conhecido por ter uma personalidade bastante familiar para alguns de nós,  frequentemente, envolvido com problemas em seguir a lei e respeitar autoridades, dirigir alcoolizado (comportamento impulsivo e autodestrutivo), constantes brigas domésticas com a esposa que o levou a ser esfaqueado por ela (raiva inadequada e possivelmente dissociação), entre outros, tudo entre 2007 e 2008. Muita gente poderia - e vai - considerá-lo alguém sem solução e que deveria ser isolado da família e da sociedade... Eu fico imaginando o que as pessoas mais radicais pensam sobre o esfaqueamento (provavelmente um sonoro "ele mereceu").

Mas... ele percebeu que havia algo diferente com ele. O nome era transtorno de personalidade borderline. E o nome fez toda a diferença para ele (algumas pessoas costumam dizer por aí que o "diagnóstico não importa", eu discordo, é o diagnóstico que faz a diferença...como você vai se tratar de algo que você não sabe o nome, não conhece e não sabe qual é o tratamento? É uma ilusão achar que você vai conseguir sozinho, todo mundo, uma hora ou outra, precisa de ajuda. Seu diagnostico não é você, são as outras pessoas, cheias de preconceito que fazem você achar isso!).

Brandon Marshall entrou na terapia comportamental dialética, tomou os remédios, claro, e, hoje é um novo homem, quer dizer, o mesmo homem só que no controle do transtorno. Recuperou a esposa, a autoestima, a paz e tranquilidade interna e hoje não só é um dos mais brilhantes jogadores da NFL, como também atua para educar as pessoas sobre o transtorno. Eu o acho incrível, pois ele, por ser uma pessoa de destaque na mídia, serve como exemplo para outras pessoas de que é possível sim superar e que julgar é algo muito perigoso.

Ás vezes, aquela pessoa aparentemente agressiva, impulsiva e que parece não se importar com ninguém, pode apenas ter um transtorno de personalidade. Assim como qualquer doença física, em uma doença mental, a pessoa não tem culpa. Ninguém pediu por isso, e não tem como saber se não for diagnosticado por um especialista. E, apesar de todo o estigma envolvido, o transtorno borderline é considerado o transtorno mais tratável da psiquiatra, ou seja, tem jeito, aliás, vários jeitos diferentes. 

Reflita um pouco na história do Brandon, ele poderia ter mantido a mesma personalidade, mas preferiu mudar assim que soube do diagnóstico. Não existe, eu repito, pedido de desculpas maior do que a mudança de comportamento. A mudança do coração e não a falsa. E hoje não só demonstra ser um homem equilibrado, como tenta educar as pessoas sobre isso através do Project Borderline (http://projectborderline.org) e o Project 375 (https://project375.org/) ambos sites para aumentar a consciência sobre borderline e outros transtornos mentais e arrecadação de fundos para os mesmos objetivos. 

Eu acredito que toda a pessoa que tem consciência de seu problema e entra em uma terapia com vontade de fazer sua própria mudança, sempre vai superar seus obstáculos. O borderline é um obstáculo bem grande e espinhoso, que afeta a nós e as pessoas ao nosso redor, mas não é impossível de se vencer. 

Trecho de uma entrevista do Brandon:

"Qual é a coisa mais mal compreendida sobre as pessoas que sofrendo com transtorno de personalidade borderline?
Sabe o que é? Eu diria que todas as doenças mentais são altamente estigmatizadas. As pessoas tem que entender que elas não são seus diagnósticos. Toda hora que ouvimos sobre um tiroteio em nosso país [EUA], a primeira coisa que dizem é "oh, aquela pessoa deve sofrer de doença mental". Não, não necessariamente. E eu acho que é extremamente importante que nós mudemos essa narrativa. Não apenas em nossa comunidade, mas também na mídia, pois as pessoas continuam colocando aqueles sofrendo com uma depressão em uma caixa e dizendo "essa pessoa é louca e é impossível para ela viver uma vida efetiva e feliz". Nós temos que entender que um transtorno mental deve ser tratado do mesmo jeito que a doença física. Não tem diferença"


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